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Explicaê 7.3: Taxa Selic

Apresentamos a nova temporada de Explicaês com uma introdução à Taxa Selic.




Taxa Selic


Em 1979, devido ao cenário de hiperinflação enfrentado pela economia brasileira, foi criada a taxa Selic com o propósito de ser o principal instrumento de política monetária, para controlar a inflação*. Para entendermos as consequências de sua queda nos últimos anos, precisamos passar antes por seus conceitos.


Sua sigla é originada do nome “Sistema Especial de Liquidação e de Custódia” - uma infraestrutura administrada pelo Banco Central (BC) para, em mercado aberto, realizar compras e vendas dos títulos públicos federais**, a fim de que à média das taxas de juros acordadas, com o prazo de um dia útil, esteja dentro da meta que o Comitê de Política Monetária do BC (Copom) definiu previamente.


Mas o que de fato é essa taxa?

A Selic ​é a taxa básica de juros da economia, ou seja, é a taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia.


Como ela é calculada?

A meta da taxa Selic é estabelecida a cada 45 dias, pelo Copom, mediante análises das expectativas da inflação*, contas públicas, atividade econômica e da conjuntura do cenário externo.


O Banco Central alterou a meta para a taxa Selic, e agora?

Quando ocorre uma modificação, simultaneamente a rentabilidade dos títulos relacionados se alteram.


Taxa Selic subiu

Os juros de créditos cobrados, como cartão de crédito, empréstimos e cheque especial ficam mais altos;

Desestimula o consumo;

Ajuda na queda da inflação*.

Taxa Selic caiu

Os juros de créditos cobrados ficam menores, tornando os empréstimos mais baratos;

Estimula o consumo;

A inflação* tende a aumentar.


* Inflação

A inflação é o que faz com que o seu dinheiro perca valor. O que no bolso dos consumidores representa à diminuição do poder de compra, pois tem-se o aumento dos preços de bens e serviços, mas dificilmente sua fonte de renda aumenta na mesma proporção.

Esse aumento de preços não é uniforme e também não necessariamente oriundo da mesma causa, podendo ser a partir das pressões de demanda, pressões de custos, inércia inflacionária e expectativas de inflação. Já no que diz respeito ao governo federal, ele não possui um controle total sobre a inflação, contudo através da taxa Selic, consegue tomar medidas que a influenciam.


** Títulos públicos federais (TPFs)

“Eles são promessas de pagamento emitidas pelo governo do Brasil, representado pelo Tesouro Nacional. Quando emite um título, o governo torna-se devedor; quem compra o título financia o governo.”


E os investimentos?

  • Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título público cuja rentabilidade está indexada à taxa Selic. Se comportando de forma análoga, se a taxa Selic caiu, sua rentabilidade também cai.

  • Caderneta de poupança

Rentabilidade aumenta: se a taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano: a poupança rende 0,5% sobre o valor depositado + Taxa Referencial;

Rentabilidade diminui: se a taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano: a poupança rende 70% da Selic + Taxa Referencial.

  • Certificado de Depósito Interbancário (CDI)

Por determinação do Banco Central, as instituições financeiras precisam fechar o dia com o caixa positivo. Todavia, nem sempre isso é possível, acarretando a necessidade de se realizar um empréstimo, podendo ser oriundo de outras instituições financeiras, as quais terão seus juros definidos pelo CDI.

Se a taxa Selic for muito maior que o CDI: a rentabilidade será maior emprestando dinheiro ao governo.

Se a Taxa CDI estiver muito acima da taxa Selic: a remuneração dos títulos que usam essa taxa sobem.


E hoje, o que está acontecendo?

De acordo com à ata da 230ª Reunião do Copom referente aos dias 5 e 6 de maio de 2020, têm-se algumas considerações:


Últimas decisões

“20. Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual, para 3,00% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação* prospectiva e é compatível com a convergência da inflação* para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2021.

“22. O Copom entende que, neste momento, a conjuntura econômica prescreve estímulo monetário extraordinariamente elevado, mas reforça que há potenciais limitações para o grau de ajuste adicional. O Comitê avalia que as trajetórias fiscais ao longo do próximo ano, assim como a percepção sobre sua sustentabilidade, serão decisivas para determinar o prolongamento do estímulo.”


Próximos passos

“23. Para a próxima reunião, condicional ao cenário fiscal e à conjuntura econômica, o Comitê considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da Covid-19. No entanto, o Comitê reconhece que se elevou a variância do seu balanço de riscos e ressalta que novas informações sobre os efeitos da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos.”


Autoria: Caroline Carnevalli (LMF São Carlos - USP e UFSCar)

Data de publicação: 04/06/2020

Referência: https://www.bcb.gov.br/

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