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Environmental, Social and Governance (ESG)

O termo ESG (Environmental, Social and Governance corporate) tem fomentado uma importante resposta das organizações na inclusão de temas que garantam sua sustentabilidade de forma a contribuir conjuntamente com o planeta e com as pessoas quanto à preocupação com seus valores éticos para geração de valor em mais campos que apenas o financeiro. É uma maneira responsável de comprometimento com seu mercado atuante, desde seus consumidores, fornecedores, até seus investidores.


Geração Eólica, uma das soluções para energia limpa [Unsplash]

As discussões sobre esse tema têm sido cada vez mais comuns em conselhos de administração das empresas, tendo um impacto significativo nas tomadas de decisões de investidores por todo o mundo. Porém foi só em 2004 que o termo foi mencionado, por um artigo intitulado “Who Cares Wins”, na qual tinha como ideia principal, mostrar que empresas engajadas com causas sociais, ambientais e com boa governança corporativa, teriam melhores resultados. Anos depois, o termo voltou a ser pauta com o surgimento dos green bonds, títulos emitidos para captação de recursos em promoção à melhoria ambiental.

ESG pode ser entendido como um conjunto de boas práticas que visam definir se uma empresa é socialmente consciente, sustentável e corretamente gerenciada. Na qual, os três pilares bases (meio ambiente, social e governança) são utilizados como critérios para entender a sustentabilidade empresarial, ampliando a perspectiva de análise do negócio para além das métricas financeiras, e, mensurando se a empresa possui a compreensão da influência que ela exerce por meio dos seus negócios. Assim, pode se validar se o investimento é uma opção realmente viável e sustentável, capaz de gerar impactos positivos financeiros, sociais e ambientais.

Cada setor empresarial vai ter um contexto ESG diferente, sendo portanto, necessário entender mais profundamente seus pilares para sua aplicação em específico, correlacionando os pilares de forma a se relacionarem ao ponto que a cooperatividade seja cumprida. De forma geral, é apresentado um modelo abaixo que ilustra essa relação.

Ilustração “ESG Preparedness” [S&P Global Ratings]

Cenários de Investimentos ESG

Hoje, os critérios ESG são praticamente imprescindíveis no mercado e avançam globalmente no mundo dos investimentos. Como exemplo, segundo um estudo da consultoria PwC, multinacional norte-americana presente em 155 países, critérios ESG não só são considerados por 76% dos investidores em venture capital (VC) entrevistados, como 37% deles chegaram a relatar terem desistido de investimentos por causa da falta de preocupações com esses parâmetros por um companhia.

Podemos perceber um maior engajamento dos investidores e importantes fundos de gestão globais cobrando um posicionamento mais concreto em relação às diversas temáticas de ESG. Entre elas, alguns exemplos:

  • Diversidade;

  • Inclusão e equidade;

  • Plano de previdência;

  • Gestão de resíduos;

  • Política de desmatamento;

  • O uso de fontes de energia renováveis pela empresa;

  • Mudanças climáticas;

  • Governança, ética e integridade nas relações;

  • Transparência financeira e contábil;

  • Relatórios financeiros completos e honestos;

  • Remuneração dos acionistas;

  • Integridade e práticas anticorrupção;

  • Gestão de riscos;

  • Qualidade de vida dos colaboradores em tempos de pandemia.

A incorporação desses critérios pelo mercado financeiro aumenta o leque de opções aos investidores que desejam construir suas carteiras de investimentos, visando melhorar a exploração de oportunidades que a sustentabilidade tem criado através de valores sociais, ambientais e políticos com a missão de tornar os negócios mais impactantes em diversas áreas.

No Brasil, o ESG mesmo que ainda atrasado quanto na Europa, o cenário é positivo e o tema cada vez mais ganha atenção entre os gestores de ativos brasileiros. Há uma demanda no mercado por aplicações mais responsáveis que vem servindo como estímulo para o aprimoramento e desenvolvimento de boas práticas no mercado. Com isso, é possível desenhar um cenário com perspectivas positivas para o ambiente de negócios brasileiros, à medida que o tema vá se desenvolvendo nos mais diversos segmentos da economia. Ademais, de acordo com um estudo realizado pela consultoria Deloitte e pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores, três em cada quatro empresas listadas em bolsa pretendem investir mais em ESG em 2022.

Com essa ascensão, o mercado passou a desenvolver alguns índices que filtram as organizações que realmente colocam esses critérios em prática. Na B3, existem alguns índices que buscam efetivamente reunir empresas que aplicam boas práticas e políticas de sustentabilidade, além de se posicionarem sobre questões sociais e que também investem em melhores ações de governança corporativa. Dentre os diversos índices, alguns destaques são:

Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3): O ISE B3 é uma das iniciativas pioneiras na América Latina e um dos primeiros índices criados no mundo para a perspectiva da sustentabilidade.

  • Índice de Governança Corporativa (IGCT): O IGCT tem como objetivo reunir empresas mais engajadas com o pilar de governança corporativa.

  • Índice S&P/B3 Brasil ESG: o Índice S&P/B3 Brasil ESG reúne empresas que fazem parte do S&P Brazil BMI (Broad Market Index).

  • Índice Carbono Eficiente (ICO2): As empresas presentes no Índice Carbono Eficiente fazem parte do IBrX-50, um conjunto de organizações comprometidas com a redução da emissão de gases estufa na atmosfera.

Os investidores estão buscando construir novas carteiras de investimentos visando explorar as oportunidades que a sustentabilidade tem gerado, mitigando os riscos advindos da volatilidade econômica, política e social. Busca-se, portanto, fomentar uma cultura corporativa com propósito, que priorize seus stakeholders, seus consumidores, o mercado no qual atua, os colaboradores que fazem sua operação acontecer e a comunidade em que estão inseridos. Mais do que nunca, o ESG se torna essencial para o mercado financeiro.




Autor: Gustavo Cassim | linkedin





Referências


[1] http://esginsights.com.br/esg


[2] https://www.spglobal.com/ratings/en/products-benefits/products/esg-evaluation


[3] https://www.totvs.com/blog/business-perfomance/esg/


[4] https://www2.deloitte.com/br/pt/pages/audit/articles/pesquisa-ibri.html