Explicaê 6.1 - Avianca: os últimos suspiros



Após dois anos de recessão, em 2017, o setor aéreo brasileiro voltou a desenvolver-se no cenário de retomada econômica gradual do país. Com um crescimento de 1% do PIB, em comparação com 2016, aliado a redução do índice de inflação - de 6,7% em 2016 para 3% em 2017 - o setor retomou o seu desenvolvimento. Questões como o aumento do preço do querosene e a diminuição da variação cambial no mês de dezembro, dos anos de 2016 e 2017, foram fundamentais para as variações nos custos do setor durante o período supracitado. Além disso, a demanda doméstica do transporte aéreo de passageiros apresentou, em 2017, crescimento de 3,2%, após redução de 5,7% no ano anterior,em termos de passageiros/quilômetros pagos transportados (RPK), o que ratificou as expectativas positivas para o setor.

Entretanto, em meio a recuperação do setor aéreo, no último ano surgiu um novo episódio - não tão novo no cenário aéreo brasileiro - que, provavelmente, culminará no triste fim de mais uma companhia aérea em solo nacional. Desde 2001, dez empresas aéreas entraram em falência no Brasil, com os mais variados motivos, desde a entrada de novos concorrentes oferecendo um serviço mais barato, até frustradas estratégias de business que não se reverteram em lucro.

Com uma parcela considerável do mercado doméstico de passageiros em termos de RPK, 12,8%, a Avianca aparecia no cenário brasileiro como uma empresa em potencial. Para evidenciar ainda mais esse quadro, nos anos de 2015-2017, a empresa apresentou a maior variação de receita de serviços aéreos públicos, alcançando 19% e superando gigantes do setor como Azul (13,5%) e Gol (5,0%).

Entretanto, uma série de decisões equivocadas, acabaram limitando e “minando” as atividades da empresa aérea, o que culminou com a delicada situação atual vivenciada pela Avianca. Motivos como a entrada no mercado internacional em um período de recessão e a oferta de passagens mais baratas que alguns de seus concorrentes, sem a diminuição da qualidade dos serviços de bordo, foram essenciais para garantir uma situação financeira não saudável, o que obrigou a empresa a tomar uma importante decisão no fim do ano de 2018.

Em 11 de dezembro de 2018 a Avianca Brasil entrou com um pedido de recuperação judicial na justiça de São Paulo como meio de renegociar suas dívidas, evitar a perda de mais aeronaves arrendadas para os credores, e, consequentemente, não afetar suas operações nos aeroportos. A estratégia adotada pela empresa nessa RJ foi de leiloar seus slots - autorizações de pouso e decolagem -, algo comum feito no mundo quando empresas do setor encontram-se em dificuldades financeiras, e vender seu programa de rewards, em tentativa de fidelizar seus clientes para outra companhia aérea. Todavia, esse plano transformou o último suspiro da Avianca em uma frustração judicial, por conta da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) afirmar que por lei, os slots não podem ser negociados, pois eles não pertencem às companhias aéreas e sim são repassados a elas pelo órgão regulador.

Além de todo esse imbróglio judicial, observou-se também uma disputa entre as companhias brasileiras para adquirir os ativos oferecidos pela Avianca. A Azul que prontamente comprometeu-se em comprar todos os slots viu a Gol e a Latam unirem forças para impedir que companhia obtivesse todas as autorizações, visando não deixar a companhia aumentar sua presença no aeroporto de Congonhas - o mais disputado no país - e manterem o controle da ponte aérea Rio-São Paulo. Essa disputa culminou em uma investigação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por conta das companhias aéreas - Gol e Latam - só terem entrado na disputa do leilão da Avianca para impedir o crescimento da concorrente Azul.

É claro que uma possível venda da Avianca poderá trazer consequências significativas tanto para o setor quanto para o consumidor. A consequente diminuição da concorrência no setor aéreo e o aumento no preço de passagens aparecem como principais efeitos da crise - vale ressaltar que o preço de passagens de trechos como Rio-São Paulo já sofreram um aumento de 35%, aproximadamente. Dessa forma, a atração de investidores externos surge como uma possível solução para o problema, uma vez que atribuiriam a participação a novas empresas, aumentando a concorrência no setor.

Portanto, apesar de ter sido considerada uma empresa em potencial, a Avianca dá seus últimos suspiros no mercado brasileiro. O leilão de ativos ainda aparece como uma das últimas esperanças da empresa, porém a situação torna-se cada vez mais delicada e converge para uma mudança na dinâmica do mercado aéreo nacional. A pergunta que fica é: por mais quanto tempo a Avianca conseguirá respirar

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