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Setor de Telecomunicações Brasileiro






Overview do Setor


O setor de telecomunicações brasileiro, apesar de ser muito ligado às tradicionais chamadas de telefone, inclui todo o tipo de transmissão de informações e comunicação à distância, seja através de telefone, celular, computador, rádio, televisão ou internet.

As empresas do setor são responsáveis por ofertar o serviço de comunicação e também a infraestrutura atrelada a ele. Fazem parte da infraestrutura do setor satélites, torres, antenas, cabeamento, postes telefônicos e os meios necessários para que o consumidor consiga utilizá-los. Nessa linha, as operadoras também são responsáveis por reparos, manutenção e suporte ao cliente.

O setor pode ser dividido em dois grandes segmentos: fixo e móvel. O primeiro segmento engloba telefonia fixa, banda larga fixa e tv por assinatura, enquanto o segundo compreende todos os tipos de serviços móveis incluindo telefonia e internet móvel. Além disso, as empresas presentes no setor possuem clientes corporativos e individuais e geralmente possuem também outros tipos de serviços como wallet e venda de dados.

Dessa forma, a cadeia de valor acontece de forma diferente para cada um desses segmentos, os quais também apresentam dinâmica e concorrência diferentes. No esquema abaixo é possível observar uma representação disso.



Fonte: elaboração própria.


A cadeia de funcionamento do setor de telecom engloba vários tipos de empresas. As empresas de internet, que representam grande parte do setor, podem ser caracterizadas em vários níveis, como é apresentado abaixo.




Fonte: elaboração própria.


No esquema acima, as tier 1 sustentam o backbone global e possuem os provedores de internet, e as tier 2 contratam a internet das tier 1 e distribuem localmente. Já as tier 3 contratam a internet das tier 2 e capilarizam entre as cidades.



Dinâmica


Durante um bom tempo o setor de telecom lucrou vendendo comunicação por voz por minutos. Porém, atualmente, o ciclo de vida dos produtos do setor é muito mais curto. Com a ascensão da internet muitas coisas mudaram. Ao mesmo tempo que as empresas do setor perderam receita, também tiveram a oportunidade de entrar no novo segmento.

Ao passar dos anos a regulamentação também mudou, metas de investimento em telefonia fixa se tornaram investimentos em tecnologia de fibra trazendo um maior valor agregado. Outra oportunidade para tais operadoras foi integrar seus serviços com plataformas e criar seus próprios dispositivos eletrônicos.

Esses pontos guiam tais empresas para trazer inovações e dinamismo no setor. Dessa forma, as que atendem essa expectativa possuem boas perspectivas de crescimento.

O setor de telecomunicações também é conhecido por ser monopolizado já que consiste em uma grande rede integrada de cabos e exige altos CAPEX (Capital Expenditure) e custo fixo. Dessa forma, as empresas herdeiras da Telebrás e já estabelecidas possuem uma vantagem em relação a novas concorrentes pois possuem concessões e essa rede já estabelecida.

Além disso, o setor possui grande previsibilidade de receitas e resiliência em crises, é perene e tem uma diversificação da fonte de riquezas por ter vários segmentos. Porém, também é um setor altamente regulado e exige longos ciclos de investimento e constante necessidade de inovação.

Outro ponto a ser ressaltado no setor é o alto índice de descontentamento dos consumidores com a qualidade dos serviços prestados pelas empresas de telecomunicação. Embora o índice de satisfação dos clientes venha melhorando nos últimos tempos, o setor ainda tem esse índice menor que outros e se enquadra como um dos maiores protagonistas em reclamações.

Entre os pontos citados acima, observa-se que o segmento em ascensão e mais relevante é o de telefonia móvel, que teve uma grande expansão devido ao uso de celulares, itens que se tornaram essenciais no cotidiano da população. Enquanto os serviços de telefone fixo e TV por assinatura sofrem um declínio, sendo substituídos pela telefonia móvel e serviços de streaming.


Dados

Como dito anteriormente, o setor possui os segmentos fixo e móvel e serviços dentro deles. No infográfico abaixo, pode-se observar os acessos provenientes de cada segmento. Além disso, percebe-se que grande parte dos acessos, mais de 74% dos acessos de serviços de telecomunicações em 2020, pertencem ao segmento de telefonia móvel.



Fonte: ANATEL, Relatório Anual, 2020.


Somado a isso, pode-se analisar a evolução dos quatro segmentos ao longo do tempo no Brasil, no gráfico abaixo, que apresenta o número de acessos.



Fonte: ANATEL, Relatório Anual, 2019.


Dessa forma, observa-se que o segmento em ascensão e mais relevante é o de telefonia móvel, o qual teve uma grande expansão devido ao uso de celulares. Enquanto os serviços de telefone fixo e TV por assinatura sofrem um declínio, gerado pela menor adesão comparados a telefonia móvel e serviços de streaming. Já o segmento de banda larga fixa teve um leve crescimento ao longo do tempo, mas ainda sutil comparado aos serviços móveis.

Junto a isso, observa-se também uma grande expansão na cobertura da rede móvel nas cidades brasileiras. Em julho de 2021, 95% das cidades possuíam cobertura 4G. Essa evolução ao longo dos anos é exemplificada no gráfico abaixo.



Fonte: Dados ANATEL, julho de 2021.


Regulamentação

Até a década de 90 o fornecimento de serviços de telecomunicações era exclusivamente estatal, pela Telebrás. Nessa época, tais serviços tinham problemas no fornecimento e eram oferecidos a altos preços. Dessa forma, pouca parcela tinha acesso a esses recursos. Assim, em 1997 foi criada a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com o intuito de modernizar o setor e expandir o acesso e garantir a qualidade dos serviços de telecomunicações.

A Anatel é responsável então por regulamentar o setor, editar normas, estabelecer padrões de fornecimento, garantir a prestação dos serviços, além de autorizar novas empresas no setor e novos produtos.


Drivers


PIB

Indicador que guia o crescimento e evolução do setor.




IPCA

Indicador que reajusta os preços aos consumidores do setor.




Taxa Selic

Indicador que influencia no acesso ao crédito pelas empresas do setor.


Subsegmentos


Telefonia Fixa

O segmento de telefonia fixa é o serviço de telecomunicação que, pela transmissão de sinais, conecta um ponto fixo. Esse processo pode acontecer localmente, nacionalmente ou internacionalmente. Além disso, os telefones públicos, serviços de 0800, e chamadas entre dispositivos fixos e móveis também são considerados serviços de telefonia fixa.

Esse segmento possui um mercado altamente concentrado e a tendência é que essa concentração continue aumentando. Dentro da telefonia fixa, existe um monopólio natural que se deve pela rede de cabos já consolidada que essas empresas possuem e altos custos fixos para que outras empresas entrem nesse nicho do mercado. Abaixo, pode-se ver o market share do mercado, e a métrica CR3 = 91,69% evidenciando a sua alta concentração.


Fonte: ANATEL, Relatório Anual, 2019.



Telefonia Móvel

O segmento de telefonia móvel engloba serviços pré e pós pago de voz e dados (3G, 4G e 5G). A comunicação móvel se caracteriza pela mobilidade do usuário, tendo o SMP como principal serviço. As operadoras de SMP (Serviço Móvel Pessoal) detêm as chamadas originadas de dispositivos móveis, serviços de dados (internet) e SMS.

Sobre as tecnologias para rede móvel, hoje temos o 4G (telefonia móvel de quarta geração). A tecnologia surgiu em 2011, mas começou a ser instituída apenas algum tempo depois. Ela trouxe a promessa de velocidades superiores ao 3G, o qual ainda é utilizado em algumas localidades em que o acesso do 4G ainda é difícil.

O 5G, que é mais recente, possui menor latência (tempo de resposta), o que significa que possui uma conexão mais rápida e estável, porém tem um alcance menor que as tecnologias anteriores. Dessa forma, para a implementação dessa tecnologia é necessário uma maior concentração de torres para melhor distribuição do sinal.

Com suporte do 5G, é possível desenvolver novas aplicações e serviços, entre elas alguns tipos de comunicação mais avançada entre máquinas, internet das coisas (IoT) e cirurgias robóticas. Isso tudo graças ao curto tempo de resposta entre o que acontece ao vivo e a transmissão dessa informação.

Outro ponto relevante no segmento é o aumento de planos pré-pagos em relação aos pós-pagos. Essa mudança influencia na fidelização dos clientes e na maior previsão de receita. Em 2014 os pré-pagos representavam 24,42% do segmento. Esse valor teve um crescimento a cada ano e representou 48,36% em 2019.

Sobre o mercado de telefonia móvel, apesar de ser concentrado, apresenta uma grande competição entre as empresas consolidadas. Isso acontece pois, além das empresas venderem os serviços ofertando preço e qualidade esperados, elas também devem apresentar uma boa combinação de todos os serviços acima citados nos seus planos. Abaixo podemos ver o market share desse mercado, e a métrica CR4 = 97,19% evidenciando a sua alta concentração.



Fonte: ANATEL, Relatório Anual, 2019.



Banda Larga Fixa

O segmento de banda larga fixa engloba serviços com várias tecnologias, incluindo cabo, fibra óptica, wireless e DSL. Dependendo da região e disponibilidade, o consumidor pode escolher o tipo de tecnologia baseado nas suas preferências e necessidades.

A tecnologia por cabos de cobre é mais antiga e tem menor capacidade de transmissão de Mbps, enquanto os cabos de fibra têm uma maior capacidade, porém são menos resistentes e possuem uma implementação mais cara.

Nos últimos anos, a fibra óptica teve um grande aumento e destaque no segmento de banda larga fixa, enquanto os cabos metálicos mais antigos não estão sendo mais tão utilizados. Essa evolução é apresentada no gráfico abaixo.



Fonte: Dados REDIRECTION, agosto de 2020.


Sobre o mercado de banda larga fixa, seguindo o setor de telecom, é também monopolizado. A métrica CR3 = 63,13% evidencia a sua alta concentração. Porém, nesse segmento podemos perceber que existe uma porcentagem bem maior de pequenas empresas comparado aos outros segmentos, 32,8%. Dessa forma, a banda larga fixa apresenta o segmento do setor com maior facilidade de entrada para novas empresas. Isso acontece pois no Brasil não temos a rede de banda larga fixa totalmente implementada em todos os serviços. Assim, as empresas que instalam essa rede conseguem deter uma fatia do mercado. Essa confirmação é dada pelo gráfico abaixo.



Fonte: ANATEL, Relatório Anual, 2019.



TV por assinatura

O segmento de TV por assinatura engloba serviços por cabo ou satélite e oferece um decodificador ao consumidor que é acoplado à TV e recebe o sinal. As empresas desse segmento são divididas entre operadoras e programadoras. O primeiro tipo é responsável por distribuir o sinal e o segundo é responsável pelo conteúdo dos canais.

O serviço de TV a cabo, o mais comum no Brasil, consiste em distribuir o sinal de TV por meios físicos e é mais caro para ser instalado. Os cabos podem transmitir, além do sinal de TV, telefonia e internet. Já serviços por satélites, por sua vez, precisam de uma antena para receber o sinal e um decodificador. A vantagem desse serviço é que ele possui uma grande abrangência, porém tem um custo ainda mais elevado.

O segmento de TV por assinatura está se tornando cada vez menos relevante no Brasil e no mundo com o crescimento de serviços de streaming cada vez mais presentes no dia a dia dos usuários. Esses serviços não se enquadram no setor de telecom de acordo com a última resolução Anatel, já que eles precisam necessariamente de internet, serviço já oferecido pelo setor de telecom.

No gráfico abaixo é apresentada a evolução do número de assinaturas de TV no Brasil ao longo dos anos.






Fonte: Dados ANATEL, junho de 2021.


A quantidade de assinaturas de TV apresentou um pico em 2014 e vem decaindo desde então. Em conformidade com esses dados, o streaming mais forte do Brasil, a Netflix, tinha em 2020 cerca de 16,5 milhões de assinantes, número já maior do que as assinaturas de TV no mesmo ano.

Sobre o mercado de TV por assinatura, é também um segmento monopolizado. A métrica CR4 = 96,90% evidencia a consolidação, que é observada no gráfico abaixo.



Fonte: ANATEL, Relatório Anual, 2019.


Fontes: Anatel, BNB, Ministério das Comunicações, Redirection, Telebrasil.


Autor: Mariana Valim | LinkedIn