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Magazine Luiza: a ascensão da queridinha da Bolsa


Fonte: Istoé Dinheiro


Quem vê a poderosa Magazine Luiza nos dias de hoje não imagina como tudo começou. Uma das principais varejistas do país começou seu império na década de 50 no interior de São Paulo, mais especificamente em Franca, quando um casal de comerciantes, Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato, inauguraram sua pequena loja de presentes. Mais de 60 anos depois, esse pequeno comércio se transformou em uma gigante do e-commerce brasileiro com mais de 1000 lojas presentes em 21 estados do país.


Mas como uma pequena loja de presentes conseguiu se transformar tanto a ponto de se tornar uma referência em inovação e gestão? A Magalu tornou-se uma empresa orientada por ciclos de desenvolvimento. Após sua fundação, o primeiro ciclo foi de expansão para o interior do Brasil, depois o ciclo da entrada no mercado de São Paulo e de consolidação como umas das grandes varejistas brasileiras, o ciclo da busca por escala e abrangência regional via aquisições, o ciclo da transformação digital e, por fim, o ciclo de consolidação como uma plataforma digital de varejo. Esses ciclos foram fundamentais para desenvolver toda a base que sustenta hoje os diversos tipos de negócios da empresa, tanto nas lojas físicas quanto na virtual.



Fonte: Site Magazine Luiza RI


Quem comprou as ações da empresa em seu IPO, em abril de 2011, e manteve os papéis por 8 anos, até abril de 2019, teve um rendimento de incríveis 1.134% (para fins de comparação, o Ibovespa, que é o principal índice da nossa Bolsa de Valores, cresceu 9,3% no mesmo período). Não é à toa que a empresa virou a queridinha da bolsa de valores estando sempre entre as mais negociadas nos pregões. Sua escalada foi tão grande que em 2020 seu valor de mercado chegou aos R$ 144 bilhões, quase sete vezes o da sua principal concorrente no país, a Via Varejo. A B2W, outra gigante do e-commerce, está avaliada em R$49 bilhões na bolsa.


Mas o que fez a Magalu se valorizar tanto nesses últimos anos?


Quase cinco anos depois de atingir a sua cotação mínima histórica, o irrisório valor de R$ 0,96 por ação, a empresa se consolida como a principal operadora de varejo do país. Depois de acumular prejuízos atrás de prejuízos nos últimos anos, em janeiro 2016, assume o cargo de Diretor Executivo (CEO) e presidente do grupo, Frederico Trajano. Sobrinho neto da fundadora Luiza Trajano Donato e filho de Luiza Helena Trajano, empresária e executiva há mais de 25 anos à frente do Magazine Luiza, Frederico assume o cargo mais importante da companhia com foco em transformar um varejo tradicional com atuação digital em uma plataforma digital com pontos físicos.


Formado em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas e pós graduado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Frederico mudou completamente a estratégia da empresa. Em apenas 10 meses como CEO, levou a empresa de um prejuízo de R$ 19 milhões, no terceiro trimestre de 2015, para um lucro de R$ 24,8 milhões no mesmo período de 2016. Com a diminuição da dívida, a empresa pôde investir em novas frentes, intensificando as vendas online juntamente com a redução de custos com lojas físicas.


Enquanto a empresa se transformava, o mercado começou a notar essa mudança significativa e, com isso, as ações da Magalu começaram a virar alvo de muitos investidores. Toda essa transformação ocorrida ao longo de 2016 surtiu efeito e suas ações saltaram 501,53% ao longo do ano, de R$ 17,65 para R$ 106,17 por ação.


Os anos seguintes podem ser considerados os “anos dourados” da empresa. Acumulando ótimos resultados nos três primeiros trimestres de 2017, seus papéis dispararam para incríveis R$ 621,79. Sendo assim, buscando aumentar a liquidez das suas ações, a Magalu resolveu fazer o desdobramento na razão de 1 para 8, ou seja, quem tinha 1 ação da empresa passou a ter 8 ações, cotadas em um valor 8 vezes menor. Assim, suas ações passaram a ser comercializadas a R$ 77,70.

Assim, a varejista fechou 2017 com um lucro líquido de 389 milhões de reais, mais que quadruplicando seu resultado na comparação com o ano anterior. A empresa foi apontada como uma das dez mais inovadoras da América Latina, pela revista referência em tecnologia americana Fast Company. Seu e-commerce, que fechou o ano com participação de 33% nos resultados da companhia, foi escolhido pelo E-Bit como um dos melhores do Brasil.



Fonte: Portal Trade Map


O crescimento exponencial da empresa esteve presente nos anos seguintes, assim como uma série de transformações e aquisições.


Nos anos seguintes, a Magazine Luiza vira Magalu e anuncia duas aquisições: a startup de logística Logbee e a rede Netshoes, maior e-commerce esportivo do Brasil. Além disso, otimizou o app Magalu, que foi um dos mais bem-sucedidos apps de compras do Brasil, com 26 milhões de downloads e uma participação de cerca de 40% dos pedidos online da companhia nos últimos dois anos. Com a pandemia do COVID-19 e a consequente queda do consumo, a empresa foi impactada diretamente. Apresentando resultados negativos no segundo trimestre de 2020. Cenário que vem se alterando com o passar dos meses, demonstrando que a empresa conseguiu se estabelecer e entregar resultados otimistas devido ao seu portfólio digital e seu poder de transformação.


A comunhão de diversos fatores que fizeram a Magalu se tornar o que é hoje:

  1. Diretoria comprometida com o negócio;

  2. Estratégia com foco em resultados;

  3. Plataforma eficiente com forte redução de custos;

  4. Multicanalidade: e-commerce, marketplace e lojas físicas com forte sintonia;

  5. Forte melhoria no Luiza Cred e queda substancial na inadimplência

  6. Receita líquida com forte crescimento; juntamente com o Lucro Operacional (EBTIDA).

Assim nasceu uma gigante do e-commerce brasileiro, apresentando resultados surpreendentes guiados por um modelo de gestão extremamente eficaz.



Escrito por: Felipe Laranjeira David