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Green Bonds: Títulos de Renda Fixa que mais crescem no mercado

Os Green Bonds, também chamados de títulos verdes, são títulos de renda fixa emitidos, exclusivamente, para investir em projetos relacionados à sustentabilidade. Inicialmente visavam mitigar os impactos e efeitos da mudança climática, principalmente para a redução de gases do efeito estufa. Hoje, essa caracterização evoluiu para além dos climate bonds, que continuam como um green bond, mas com a adicionalidade que podem possuir a finalidade de qualquer projeto que tenham cunho socioambiental.


Primeiro, é necessário entender como funciona um título de renda fixa no Brasil. Um investidor compra um papel que foi previamente acordado o rendimento e o período de regência do emissor. Entre os títulos que se enquadram nesses parâmetros, temos: Debêntures, Debêntures de Infraestrutura, Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Cotas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).


Os projetos podem ser de infraestrutura, por exemplo, desde que contenham projetos e ideais sustentáveis. Durante o processo será realizada uma consultoria especializada para avaliar a destinação regular dos recursos em projetos que sejam realmente relacionado à causa.


Os títulos convencionais, assim como os verdes, possuem características comuns, como serem um título de dívida, pagam cupom periódico, possuem nota no ranking de crédito, garantias de títulos, financiamentos. Já os títulos verdes diferem por somarem que seus recursos serão destinados para projetos verdes, o emissor deve se comprometer à um nível de transparência e documentação sobre o uso de recursos sustentáveis e as credenciais verdes receberam uma avaliação externa.


As primeiras emissões tiveram início em 2007 fora do Brasil. Em 2014 tiveram um pico de emissões, passando de USD$11,1 bilhões para USD$36,6 bilhões. Em 2017, o BNDES foi o primeiro banco brasileiro a emitir os títulos verdes no mercado internacional no valor de USD$1 bilhão, com prazo de 7 anos, na Bolsa Verde de Luxemburgo. Em 2018 o valor de mercado dos Green Bonds atingiram USD$ 167,3 bilhões.


A cada ano que passa, os Green Bonds ganham mais relevância no mercado de capitais. Após a Conferência do Clima da ONU, mais de 600 investidores institucionais, que juntos somam mais de USD$37 trilhões em ativos, se comprometeram com metas estratégicas de sustentabilidade. Além disso, uma das maiores gestoras do mundo, a BlackRock, gestora de aproximadamente USD$6,8 trilhões já estabeleceu que suas iniciativas estão voltadas à um mercado mais sustentável.


Já está mais que claro que cuidar do meio ambiente não é algo de ecologistas e ambientalistas, mas uma consciência corporativa. O compromisso de investimentos sustentáveis, além de beneficiar o planeta, anulando toneladas e toneladas de emissão de CO2 na atmosfera, é notório para investidores que seus rendimentos têm maior potencial de retorno. Em países emergentes com falta de infraestrutura básica, as oportunidades de investimentos sustentáveis são ainda maiores, como é o caso da lei 14.026, conhecida como Marco Legal do Saneamento Básico, que de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, será necessário um aporte de aproximadamente R$600 bilhões.


Apesar de já estarem no mercado desde 2007, nunca esteve tão em alta; alavancado também pelo crescimento da importância do ESG, a tendência é que todos os títulos, de certa forma, acrescentem em alternativas sustentáveis. Portanto, espera-se que futuramente, os Green Bonds sejam apenas títulos convencionais, já que todas as estratégias seguiram caminhos mais sustentáveis.


Autora: Giovana Cacilha Elias LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/giovana-cacilha-600778169

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