Explicaê 7.5: A Crise do Pontocom


A Crise do Pontocom



A chamada bolha da internet foi um movimento especulativo, ocorrido entre 1994 e 2000, sobre ações de empresas baseadas na internet e tecnologia. Ela arrastou-se durante a década de 1990 até estourar em 10 de março de 2000 e suas consequências são sentidas até hoje.


  • Início e crescimento


A década de 1990 foi marcada por imenso otimismo sobre as novas tecnologias. O uso de internet nos Estados Unidos saltou de 15% da população em 1990 para 35% em 1997. Neste período, houve a popularização da internet junto de altos investimentos em empresas do setor tecnológico, além de uma gigantesca demanda de computadores, que, aliado a uma taxa de juros baixa (aumentando a disponibilidade de capital), abriu um espaço no mercado destinado para novos competidores, atraindo inúmeras empresas a serem criadas. Era idealizada a criação da “Nova Economia” por essas novas companhias, que representaria uma economia anticíclica e de crescimento ilimitado.


Com uma alta confiança neste mercado, houve grande aporte de investidores, que, cegos pela onda do Bull Market (termo usado para se referir a um contexto financeiro em que o valor de um ativo, após um histórico de crescimento consistente, tende a subir ainda mais no futuro), investiram em várias companhias com ideias boas, mas com estruturas de capital comprometidas. Houveram ainda diversos IPOs (abertura de capital da empresa na bolsa de valores) de empresas que nem sequer geravam lucro, e rendiam apenas por especulação. Por causa da avaliação alta e inconsistente do valor dessas companhias, houve uma grande valorização do índice Nasdaq (índice da bolsa de valores dos Estados Unidos) de 83% em apenas 6 meses. Portanto, criou-se uma bolha que se alimentava de especulação, grandes financiamentos privados e uma confiança excessiva no crescimento do setor.


  • Estouro da bolha


Houveram diversos motivos que levaram ao estouro da bolha. Os bancos de investimentos (que lucraram muito com os IPOs realizados) alimentaram as especulações e incentivaram esse investimento em tecnologia. Era comum as pessoas deixarem seus empregos para realizarem day-trading (operação de curto prazo de compra e venda de um ativo), aproveitando essa onda de valorização das empresas de tecnologia no mercado de capitais. Outros pontos importantes que explicam o estouro da bolha são:

  • Corrupção corporativa: diversas empresas deste segmento envolveram-se em fraudes e dívidas “maquiadas” em seus balanços, diminuindo seu valor drasticamente.

  • Aumentos das taxas de juros americanas: a Federal Reserve aumentou seis vezes seguidas as taxas de juros no ano de 1999, a fim de tentar reverter o crescimento da inflação, resultando em desaceleração econômica.

  • Resultados ruins de 1999 revelados em março: as vendas de Natal (que corresponde ao período de maior movimentação no e-commerce americano) tiveram desempenho abaixo do esperado, e seus resultados foram divulgados apenas em março de 2000.


O dia 10 de março de 2000, uma sexta, amanheceu com a maior alta da Nasdaq neste período, com um valor de 5048,62 pontos. No entanto, neste mesmo dia houveram diversas vendas de lotes maciços de papéis destas novas companhias, por pessoas já receosas acerca deste cenário. Em 13 de março, o Japão anunciou recessão, provocando uma venda global destes papéis e, em 20 de março, a Barron (revista de investimento americana) publicou um artigo que previa a iminente falência de muitas empresas de internet. O valor das ações foi despencando dia após dia, com mais escândalos contábeis e falências de empresas que, até alguns meses antes, era analisadas com um futuro promissor.



Figura 1 - Desempenho do índice NASDAQ.

No final da crise, em 2002, as ações haviam perdido US$ 5 trilhões em capitalização, e a NASDAQ havia registrado uma queda de 78% em relação a seu pico. Mesmo com um corte nas taxas de juros em 2001, a queda permaneceu constante - juntando com uma forte queda na economia depois do atentado de 11/09. A Figura 1 mostra a evolução do valor da NASDAQ de 1994 até 2005.


  • Consequências


Depois que o capital de risco não estava mais disponível, a mentalidade operacional de executivos e investidores mudou completamente. O tempo de vida de uma empresa pontocom foi medido por sua taxa de queima (a taxa na qual gastou seu capital existente). Muitas empresas pontocom ficaram sem capital e passaram pela liquidação. Os setores de apoio, como publicidade e remessa, reduziram suas operações à medida que a demanda por serviços diminuía. No entanto, muitas empresas foram capazes de suportar o acidente; 48% das empresas pontocom sobreviveram até 2004, embora com avaliações mais baixas.


À medida que o crescimento do setor de tecnologia da informação se estabilizou, as empresas se consolidaram; algumas, como Amazon, eBay e Google, ganharam participação de mercado e passaram a dominar seus respectivos campos. O setor de tecnologia da informação se assemelhou mais a outros setores da economia, embora com uma taxa de crescimento ainda mais rápida e avaliações mais altas do que outros setores.


No entanto, apesar de esta crise significar a falência de diversas empresas e um período de grandes incertezas nos EUA, ela investiu na “espinha dorsal” do que hoje é o nosso sistema universal de internet, e muitos servidores, computadores e bases de dados foram ali construídos e estruturados. Tudo por causa dessa alta especulação ocorrida na década de 1990.


Autoria: João Vitor de Moura Abreu Nolasco


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