Explicaê 5.8 - A Filosofia de Investimento de Philip Fisher


1. Explicações Técnicas

a) Quem foi Philip Fisher?

Philip Fisher foi um dos mais proeminentes investidores americanos, sendo o principal expoente do “Growth Investing” - o investimento em crescimento - e apontado por Warren Buffet como uma de suas principais influências. O princípio básico de sua metodologia é investir em companhias de destaque, aquelas que apresentarão crescimento de vendas e lucros acima da média da indústria nos próximos anos. Assim, qualidade passa a ser mais importante que múltiplos contáveis baratos (como Preço/Lucro), o que não significa comprar uma ação a qualquer preço.

b) Como identificar esse tipo de empresa?

Para ele, o trabalho de um analista ia muito além da simples análise das demonstrativos financeiros da empresa. Assim, ele cunhou o nome “Scuttlebutt” para descrever o ato de pesquisar profundamente sobre uma empresa por meio de processos metódicos de inteligência da indústria, fazendo pesquisas de campo e colocando a mão na massa. Ele defendia ir em busca de opiniões de todas as pessoas associadas à empresa: colaboradores, fornecedores, empreiteiros, rivais, pesquisadores, membros de associações, observadores, ex-colaboradores e, por fim, os gerentes sêniores. Se você compreender o setor e fizer perguntas inteligentes sobre os pontos fortes e fracos da empresa, conseguirá construir uma imagem bem detalhada. E para tal, ele levava em consideração 5 fatores essenciais:


i. Posição Competitiva:

A empresa deve possuir características especiais que vão permitir a lucratividade acima da média nas próximas décadas. Importante encontrar empresas que tenham história consistente de desempenhos melhores do que seus concorrentes. A palavra chave aqui são vantagens competitivas, como ser muito mais eficiente que os concorrentes ou economias de escala. Para dominar o setor, ele entendia que empresa precisaria de reputação de qualidade, uso de fontes confiáveis e produtos de alta qualidade e que a marca dominante da empresa se torne sinônimo do produto.

Outro ponto interessante, é que ele entendia que patentes não eram fonte de vantagens, porque só bloqueiam um dos caminhos pelo qual um concorrente pode desenvolver o produto. O melhor é que ela mantenha sua competitividade através de talento tecnológico, experiência de produção e boas relações com os clientes. É importante que a empresa não super-explore sua posição, porque isso será um convite para a entrada de novos concorrentes que podem minar sua rentabilidade.

ii. Marketing:

Um bom processo de marketing é capaz de gerar vendas repetidas a clientes satisfeitos. Um produto bom não se vende sozinho e, sem o um processo de marketing ele é como um “motor poderoso com uma polia solta” nas palavras dele. Esta dimensão é facilmente analisada através do scuttlebutt com concorrentes e clientes.

iii. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D):

A coordenação entre P&D, produção e vendas é imperativa. Se um produto novo não é desenhado para tornar a fabricação mais eficiente ou ser mais atrativo para os clientes, os esforços de vendas terão problemas. É importante que a diretoria entenda o valor de P&D e crie um ambiente estável com perspectivas de longo prazo.

Um bom processo de P&D promove um fluxo regular de novos produtos lucrativos e ajuda a verificar se a empresa tem o potencial para ser igualmente produtiva no futuro.

iv. Condições e Controle Financeiros:

As empresas que com bom controle financeiro possuem diversas vantagens: capacidade de dirigir os esforços onde vão produzir o máximo de ganhos, entendem onde vale a pena fazer um esforço especial para reduzir custos. Não adianta a empresa ter um produto excelente e não possuir a habilidade financeira para produzir e vender pelo preço certo.

Por isso, é importante procurar por empresas com histórico consistente de margens altas de lucro. É importante destacar que a melhora delas deve ser devida a aumento do poder competitivo e não ao ciclo econômico: em geral, são as empresas mais fracas que experimentam os maiores ganhos de margem quando o ciclo está em ascensão.

v. Qualidade das pessoas:

Fisher tinha consciência de que empresas não são amontoados de tijolos e máquinas, de que a qualidade de sua direção e de seu pessoal é fundamental para o sucesso de qualquer empresa. E os pontos que utilizava para avaliar isso eram:

Competência nos negócios: conduzir a empresa eficientemente no dia-a-dia e, ao mesmo tempo, se preocupar com o futuro a longo prazo

Integridade: Más notícias acontecem e a diretoria com integridade não tenta escondê-las.

Ótimo trabalho e relações pessoais: Cuidar dos interesses dos colaboradores gera um bom retorno em termos de maior produtividade.

Excelentes Relações executivas: É a gerência de uma empresa “cujo julgamento, engenhosidade e trabalho em equipe vão, com o tempo, construir ou destruir qualquer empreendimento”. Cooperação, engenhosidade e esforço devem ser tão respeitados quanto recompensados.

c) O comportamento do mercado deve ser explorado

Fischer dizia que os lucros excepcionais vinham de empresas que não estavam na boca dos investidores. Empresas do tipo: impopulares, mal analisadas mas intrinsecamente sólidas; procurar empresas sólidas e bem administradas que estejam com preços baixos, independente de cenário Macroeconômico.

Fischer dizia que muitos tendem a simplesmente seguir a multidão, mesmo sem uma análise correta. Também dizia que a razão P/L (indicador mais usado na época) não indicava muito sobre as empresas, ele apenas refletia o que os investidores pensavam (futuro) e falavam (presente) acerca dela. Por isso, muitas vezes essa diferença entre a avaliação da comunidade financeira e os verdadeiros fatos fazem com que o preço fique mais baixo do que esses fatos justificariam por um longo período de tempo.

Os investidores sérios devem recuar dos tumultos e analisar os fatos calmamente; paciência e autodisciplina são fundamentais.

“O que importa para o futuro é que todos os blocos estejam no lugar - direção com qualidade, excelente marketing, forte posição competitiva, P&D perfeitos, etc. Se esse for o caso, então o grande aumento nos preços e lucros vai acontecer cedo ou tarde.”

Fischer também se preocupava com o fato de muitos investidores estarem levando a máxima “Não colocar todos os ovos na mesma cesta” ao extremo. Segundo ele empresas demais torna impossível uma análise/monitoria de qualidade, mas que devemos ter um mínimo de empresas para que um erro ocasional não leve a um desastre. Melhor ter um bom número das melhores do que um pouquinho de muitas.

“O investidor de longo prazo sempre vai superar o de curto prazo”

d) Quando vender?

Fischer sugere vender as ações em três casos:

Caso a análise tenha sido feita errada e os fatores estão menos favoráveis que o que se supôs;

Caso a empresa não seja mais classificada como ação de crescimento. Para isso ele propõe um teste: Pergunte-se se no próximo ciclo de pico de negócios os lucros por ação da empresa vão provavelmente mostrar um crescimento tão grande a partir dos níveis atuais quanto os níveis atuais mostram desde o último pico de atividade geral.

Ou quando há outra oportunidade com melhor perspectiva. Neste caso ele dizia para se tomar muito cuidado com a mudança, pois se está saindo de um território conhecido para um desconhecido. Assim há o risco de deixar escapar algum elemento importante.

2. Resumão

a. O Scuttebutt é muito importante: fale com todos os stakeholders e concorrentes da empresa, ponha a mão na massa e faça pesquisas de campo.

b. Invista em um pequeno número de empresas de que você realmente entende

c. Procure um bom management e uma forte posição de competitividade

d. Não acompanhe a multidão

e. Mantenha o foco nos retornos de longo prazo

f. Sempre compre empresas de crescimento potencial a baixo preço

g. Não perca tempo com previsões macroeconômicas ou de curto prazo

h. É mais fácil saber o que deve acontecer com o preço de uma ação do que predizer em quanto tempo isso ocorrerá

i. O preço da ação é reflexo dos resultados futuros: “Deve-se ter em mente que o que realmente importa é o futuro, não o passado”

j. São preferíveis empresas que já apresentaram um histórico de geração de resultados

3. Fontes Utilizadas

Livro “Os Grandes Investidores”, cap 2 - Glen Arnold

“As Velhas Atuais Lições de Philip Fisher” - Valor econômico

4. Material Extra

Notícia do Valor Econômico em pdf anexo.

Scuttlebutt: an enduring strategy for smart investors - link

The Scuttlebutt Approach and 15 Questions an Intelligent Investor Will Ask - link

5. Explicação simplificada do conceito

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Philip Fisher foi um dos mais proeminentes investidores americanos, sendo o principal expoente do “Growth Investing” - o investimento em crescimento - e apontado por Warren Buffet como uma de suas principais influências.

O princípio básico de sua metodologia é investir em companhias de destaque, aquelas que apresentarão crescimento de vendas e lucros acima da média da indústria nos próximos anos. Assim, qualidade passa a ser mais importante que múltiplos contáveis baratos (como Preço/Lucro), o que não significa comprar uma ação a qualquer preço.


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