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Explicaê 5.4 - Você sabe o que é CDS?


1. Glossário

- Swap: São parentes próximos dos contratos a termo e contratos de futuros. Eles são acordos entre duas contrapartes para trocar fluxos de caixa ao longo do tempo.Seus três tipos básicos são swaps de taxa de juros, swaps de moedas e swaps de crédito (CDS).

- Agência de classificação de risco: É uma empresa que qualifica determinados produtos financeiros tanto de empresas, como de governos ou países, avalia, atribui notas e classifica esses países, governos ou empresas, segundo o grau de risco de que não paguem suas dívidas no prazo fixado.

2. Explicações Técnicas

a) O que é Credit Default Swaps?

Os famosos Credit Default Swaps são seguros contra inadimplência. No geral, o que acontece é um contrato entre duas partes: a primeira, que pode ser uma instituição financeira que compra proteção para sua carteira de crédito, e a outra, por exemplo, uma seguradora de títulos, vende essa proteção. Assim o risco de default, ou não comprimento de suas obrigações, é transferido do credor para o vendedor do CDS.

b) Como funciona um CDS?

Uma pessoa envolvida em um CDS é chamada de contraparte. Sempre há duas contrapartes em um CDS. Normalmente, em um CDS, a Contraparte 1 efetua pagamentos periódicos à Contraparte 2. Em troca, a Contraparte 2 concorda em pagar o valor de face de um título de dívida de uma determinada emissão se ocorrer inadimplência. A Contraparte 1 é chamada de comprador de proteção, enquanto a Contraparte 2 é chamada de vendedor de proteção. O pagamento periódico é conhecido como spread do CDS.

Eu vou ao banco, por exemplo, e financio um carro zero por um período de cinco anos. O banco, antes de conceder crédito analisa o meu perfil para saber qual o meu risco de crédito no mercado, ou seja, para saber quais as minhas chances de ficar inadimplente e não devolver o dinheiro do empréstimo.

Depois que eu tenho o dinheiro em mãos, o banco com medo de eu dar o calote e não pagar pelo empréstimo, vai a uma seguradora e vende o risco a ela, pagando um prêmio pelo seguro e se tornando o comprador de proteção. Se eu não devolver o dinheiro ao banco, como agora o risco está com a seguradora, que é a vendedora de proteção, é ela quem deve reembolsar o banco pelo dinheiro perdido.

Explicando melhor o que foi dito acima, risco é a possibilidade de ocorrência de um evento, ou seja, qual a probabilidade de eu não devolver o dinheiro? Já prêmio é um valor que pago para proteger meu risco, ou seja, uma antecipação de valor pago hoje para cobrir um evento que possa acontecer no futuro.

De fato, muitos bancos e empresas realizam esse tipo de operação no mercado de ativos, vendendo seus riscos a terceiros para se prevenir de calotes, sejam de pessoas físicas, de outras empresas e até de países!

c) Exemplo de CDS

A empresa “Mais ou Menos Ltda.” compra 10 máquinas da empresa “Vende Tudo S.A.” prometendo um pagamento no valor de um milhão de reais para daqui a 90 dias.

Com medo que a “Mais ou Menos” não pague sua dívida, a “Vende Tudo” vai a uma seguradora e propõem a compra do risco de calote. A seguradora analisa a operação e cobra uma taxa de 10% (prêmio) sobre o total da operação para vender à “Vende Tudo” um CDS.

Caso a “Mais ou Menos” não honre o pagamento, a seguradora terá de ressarcir à “Vende Tudo” pelo calote sofrido, porém, caso a “Mais ou Menos” pague o combinado no dia correto, a “Vende Tudo” recebe o valor normalmente enquanto a seguradora lucra os R$ 100.000,00 (10% de prêmio).

d) Valores do CDS

E quanto custa um CDS? Aí é que mora o problema. Não existe um valor padrão ou uma tabela que possamos consultar quando queremos precificar um título de CDS. O valor cobrado (prêmio) varia de acordo com a percepção de risco que o mercado possui do devedor.

Uma empresa que possui bom histórico de crédito, está há muito tempo no mercado e sempre honrou seus pagamentos provavelmente terá um risco baixo e portanto um prêmio igualmente baixo.

Já no caso de um mau pagador, uma empresa em atividade de risco operacional ou uma empresa com boatos de problemas financeiros, o risco e o prêmio serão proporcionalmente elevados. “Quem determina o risco de uma empresa, pessoa ou país são os agentes que estão no mercado, sendo eles os investidores e possíveis compradores do risco de CDS.

e) Vantagens e desvantagens do CDS

Como em todo e qualquer negócio, há pontos a favor e contra o CDS. Uma das maiores preocupações de quem analisa este tipo de título é que, uma vez que o mercado é quem precifica o prêmio do devedor, há a possibilidade de os agentes estarem exageradamente otimistas ou pessimistas em relação à empresa, pessoa ou país.

Pode haver casos em que informações incompletas ou tendenciosas mexam com os sentimentos de percepção no mercado, levando-os a mensurar erroneamente o risco real do título.

Geralmente há agências de classificação de risco que realizam uma análise mais minuciosa do devedor para dar com mais certeza um nível de risco a ele. No entanto, há quem diga que os CDS são mais eficientes que as agências de classificação de risco, pois o sentimento do mercado geralmente se baseia tanto no cenário micro e macro da empresa, como na visão que a grande massa de investidores e instituições financeiras têm acerca da empresa, pessoa ou país, podendo os CDS serem utilizados como uma bússola na percepção de crashs e calotes.

Este debate se acalorou nos últimos tempos na crise recente de 2008, quando as agências de classificação de risco atribuíam boas notas às empresas que de fato estavam com uma situação desfavorável, levando milhares de investidores e credores a perder dinheiro devido a uma análise errada pelas agências.

f) CDS utilizado como risco-país

Realizando-se medições diárias, o CDS é um contrato bilateral que permite se comprar uma espécie de proteção contra um possível calote do emissor de determinado ativo, atuando, assim, como um tipo de “seguro” contratado por investidores mais prudentes. Quanto maior a probabilidade de calote, maior será o prêmio/custo do CDS, funcionando, assim, como uma medida de risco de crédito. Dessa forma, o custo do CDS também é uma aproximação do risco de um país. Vale aqui um parêntese que, na grande maioria das vezes, o CDS é expressos em basis points (bps). Dessa maneira, é importante mencionar que cada 100 bps equivale a 1%.

Comparativo entre CDS Brasil x Emergentes


O risco-Brasil subiu 76% em três meses em 2018, demonstrando uma situação nada confortável. O risco, medido pelo CDS, passou de 144,3 pontos em 12 de março para 253,8 pontos no dia 9 de junho.

E qual a consequência prática para um país que vê seu risco aumentar na percepção dos investidores? Se vê obrigado a pagar juros mais altos na hora de contratar empréstimo.

Quando falamos país, não estamos falando apenas do governo do país, mas de suas empresas e bancos que eventualmente precisam tomar dinheiro lá fora. Enfim, investir no Brasil fica mais caro.

Mas o aumento do risco não foi só do Brasil. A piora foi generalizada entre os emergentes. Assim, outros investimentos em países desenvolvidos passam a ser mais atraentes para investidores, invertendo o fluxo de investimentos.

3. Notícia

As incertezas em relação ao desfecho das eleições presidenciais, aliadas a um cenário externo mais tumultuado para os países emergentes, fizeram o risco Brasil dobrar neste ano. O CDS, que estava em 140 pontos em janeiro, está agora em 282 pontos – depois de alcançar 310 em agosto. Entre os principais emergentes, o Brasil só está melhor que Argentina, cujo risco país está em torno de 700 pontos, e a Turquia, na casa dos 500.

No caso brasileiro, segundo analistas, a eleição é a principal responsável pelo aumento do risco país. E a avaliação é que esses números podem subir ainda mais, dependendo do quadro que se desenhar para o segundo turno.

Economistas ressaltam que a principal preocupação do mercado financeiro é se o próximo presidente irá prosseguir com o ajuste fiscal, pois a dívida pública brasileira tem trajetória considerada insustentável. Uma das principais medidas de solvência de um país, a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil está perto de 80%, enquanto a média dos emergentes é de 50%.


Risco-Brasil desde setembro de 2017 até setembro de 2018.

(Fonte Folha de SP)

4. Material Extra

https://g1.globo.com/economia/blog/joao-borges/post/2018/06/12/risco-brasil-sobe-76-em-tres-meses.ghtml

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,risco-brasil-dobra-em-2018-com-indefinicao-eleitoral,70002499924

https://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/3933324/cds-que-por-que-ele-pode-mostrar-fim-grau-investimento

5. Você sabia?

O CDS (Credit Default Swap) é na prática um seguro feito no exterior para garantir uma dívida. Caso o devedor não pague, a seguradora reembolsará o credor pelo valor emprestado. Com base nisso, é possível medir o risco-país: países possuem operações de crédito tomadas no exterior a partir de títulos emitidos, quanto maior o risco atribuído a esses títulos, maior será o prêmio (valor do seguro) exigido, o CDS.

6. Fontes Utilizadas

http://economiasemsegredos.com/credit-default-swaps-cds-brasil/

https://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/3933324/cds-que-por-que-ele-pode-mostrar-fim-grau-investimento

https://www.sunoresearch.com.br/artigos/risco-pais/

https://www.euqueroinvestir.com/risco-brasil-o-que-e-e-como-funciona/

Administração Financeira 10º edição - Stephen Ross


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