Explicaê 3.4 - Retomada de IPO's


IPO do Carrefour vai pagar a bancos maior comissão em 8 anos

A oferta pública inicial para a unidade brasileira do Carrefour SA gerará quase R$ 140 mi em comissões para um grupo de bancos locais e internacionais

São Paulo – Os banqueiros de IPO, que sofreram muito tempo sem negócios no Brasil, estão de olho naquele que pode ser o seu maior contracheque em oito anos.

A oferta pública inicial deste mês para a unidade brasileira do Carrefour SA gerará quase 140 milhões de reais (US$ 42 milhões) em comissões para um grupo de bancos locais e internacionais, com base no prospecto submetido pela companhia. Isso supera os 119 milhões de reais pagos pelo BB Seguridade Participações SA por seu IPO de 11 bilhões de reais em 2013 e é o mais para uma oferta inicial maior que US$ 1 bilhão desde outubro de 2009.

A bolada do Carrefour será dividida entre o Banco Itaú BBA SA, o principal coordenador da oferta, e o resto da equipe de vendas: Bank of America Corp., Goldman Sachs Group Inc., Banco Bradesco BBI SA, Banco Santander SA, JPMorgan Chase & Co. e BNP Paribas SA.

“Este é o ano da retomada para IPOs no Brasil”, disse Joelson Oliveira Sampaio, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas, em uma entrevista por telefone. “O mercado estava estagnado, com apenas um punhado de negócios desde 2014.”

A turbulência política e uma recessão recorde impediram que muitas grandes empresas brasileiras se tornassem públicas, com apenas quatro IPOs concluídos de 2014 até 2016. As coisas começaram a se movimentar neste ano, com 5,82 bilhões de reais já chegando ao mercado desde janeiro, superando o total para todos três anos anteriores combinados. A operação até agora é a da companhia aérea brasileira Azul SA de US$ 572 milhões em abril.

O IPO da unidade Atacadão SA da Carrefour poderia elevar até 7,6 bilhões de reais se a companhia exercer a opção de vender ações adicionais, de acordo com o prospecto.

Carrefour e Península, uma empresa de investimentos controlada pelo bilionário Abilio Diniz, planejam vender até 400 milhões de ações por 15 reais a 19 reais cada, a empresa de Boulogne-Billancourt, na França, disse em um comunicado em junho.

A operação vem sendo construída há mais de três ano e a data para formação do preço das ações está marcada para 18 de julho.

Executivos da Carrefour e Itaú recusaram-se a comentar as comissões de IPO.

Resultados da Atacadão

O Brasil tem sido um fator chave para impulsionar os ganhos do Carrefour nos últimos anos, enquanto o crescimento na França diminuiu. O crescimento trimestral na receita mesmas lojas no Brasil variou de 5,6 por cento a 13 por cento desde o terceiro trimestre de 2013, crescimento significativo para uma nação afligida por uma recessão. O lucro líquido ajustado da Atacadao cresceu 53 por cento, para 1,17 bilhões de reais, em 2016.

O IPO do Carrefour, que também incluirá sua participação no Banco CSF, será o primeiro grande teste da disposição dos investidores de apostar nos mercados de ações do Brasil depois que uma crise política envolveu o presidente Michel Temer em maio e ameaçou descarrilar uma agenda de reforma destinada a tirar a maior economia da América de sua recessão mais profunda já registrada.

Nenhum IPO foi precificado desde que a nova crise eclodiu, em maio, embora pelo menos três empresas tenham apresentado planos para ofertas iniciais: a empresa de energia renovável Omega Geração SA, a resseguradora IRB Brasil Resseguros SA e a empresa farmacêutica Investimentos Biotoscana.

Embora o pagamento do Carrefour seja grande em valor nominal, fica atrás de outros IPOs recentes como uma porcentagem do tamanho do negócio.

As comissões bancárias representam 2,75% da oferta da Atacadão, em comparação com 3,75% para a Azul e 4,41% para a empresa de aluguel de carros Movida Participacoes SA, conforme mostram os prospectos. As taxas de IPO do BB Seguridade foram 1,17% do total.

“Como regra geral, as tarifas bancárias raramente são mais de 4% do tamanho da oferta”, disse Sampaio. “Para IPO maiores e mais complexos, como o do Carrefour, os bancos tendem a exigir um maior volume de comissões. Mas como o tamanho da oferta tende a ser maior, a quantidade relativa cai. ”

A empresa de cartão de crédito Cielo SA representou o maior volume de comissões de um grande IPO brasileiro nos últimos 10 anos, com sua venda de ações de US$ 5,1 bilhões em 2006. Os banqueiros da Cielo levaram em 275 milhões de reais nas taxas. O maior IPO do Brasil, a oferta do Banco Santander Brasil de US$ 7,55 bilhões em outubro de 2009, gerou 193 milhões de reais em taxas.

A inflação também desempenha um papel nas taxas mais altas. O principal índice de preços ao consumidor do país aumentou 8,8% em 2016 após subir 9% em 2015.

  1. O que é um IPO? IPO (Initial Public Offering) é uma sigla para Oferta Pública Inicial (ou OPI). Como o próprio nome diz, é quando uma empresa vende ações* para o público pela primeira vez.

Isso também é conhecido como a abertura de capital. É a primeira vez que os proprietários da empresa renunciam de parte dessa propriedade em favor de acionistas em geral. O principal motivo da abertura de capital de uma empresa é captar recursos de forma barata e, assim, permitir que ela expanda seus projetos e investimentos. *ações: são cotas (pedaços) de uma empresa. Ao comprar uma ação, você também se torna dono da companhia.

2. Quais são os processos de um IPO?

Um IPO demora cerca de 1 ano e tem um custo muito alto em taxas, honorários e outras despesas. A maioria das empresas designam uma pessoa da equipe para ser o gerente de projeto. Em seguida é montada a equipe de IPO, que consiste em: • Banqueiro de investimento; • Advogados • Contadores; • Especialista da CVM* no Brasil.

Uma vez que o time foi montado, o próximo passo é começar a juntar a informação financeira requerida. Isso inclui a identificação, a venda ou exclusão dos ativos não rentáveis e encontrar áreas onde o fluxo de caixa pode ser aumentado. Algumas empresas também buscam uma nova gestão e um novo conselho de administração para conduzir a nova empresa pública.

À partir daí, o processo segue um cronograma: • Cerca de 8-10 meses antes da data que o IPO está previsto, as empresas montam o prospecto** e o divulgam para comentários. Este prospecto inclui um histórico das demonstrações financeiras de três anos. • Em seis meses os contratos de transição de propriedade devem ser escritos. Em seguida, as demonstrações financeiras são realizadas e submetidas à auditoria. • Três meses antes do IPO, o conselho se reúne e analisa a auditoria. A empresa é listada na bolsa de valores onde vai emitir suas ações.

No último mês a companhia deposita seu prospecto junto à CVM, emite o comunicado de imprensa e finalmente vende as ações. Além das taxas iniciais, as empresas pagam cerca de R$1.000.000,00 por ano em taxas apenas por ser uma empresa pública.

*CVM: Comissão de Valores Mobiliários é uma entidade autárquica, em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda que tem como finalidade disciplinar, fiscalizar e desenvolver o mercado de valores mobiliários.

**prospecto: O prospecto da oferta é o documento que traz todas as informações importantes sobre a distribuição. Nele, você entende tudo sobre o negócio da empresa ou fundo.

3. Requisitos para IPO

Para registrar IPO na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e na Bolsa de Valores (B3), uma empresa deve passar por vários trâmites legais que envolvem balanços financeiros detalhados e inúmeras auditorias, o que pode tornar o processo bastante burocrático.

Feito isso, instituições financeiras como bancos e corretoras de valores avaliam a empresa e o valor de seu capital, servindo como catalisadores na captação de novos acionistas.

Para se ter uma ideia, cerca de 45% das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras querem abrir o capital, mas grande parte delas consideram o IPO um processo difícil de ser realizado, segundo pesquisa feita pela Deloitte em parceria com o IBRI (Instituto Brasileiro de Relações com Investidores).

Além disso, para abrir o seu capital, a empresa deve optar o segmento da Bolsa em que as suas ações serão negociadas. Cada segmento possui suas normas próprias para demonstrações financeiras, proporção entre OP (ações preferenciais*) e ON (ações ordinárias**), estruturação do conselho de administração, etc. Obviamente, a escolha desse segmento deve estar coerente ao balanço feito antes mesmo da abertura do capital, durante a fase mais embrionária da ideia de expansão do negócio.

Os segmentos especiais de listagem da antiga BM&FBOVESPA – Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1 – foram criados para desenvolver o mercado de capitais brasileiro, pois era preciso ter segmentos adequados aos diferentes perfis de empresas.

* ação ordinária (ON): Tipo de ação que confere ao titular direito a voto nas assembléias da empresa. * ação preferencial (PN): Tipo de ação que confere ao titular prioridades na distribuição de dividendo (parcela do lucro apurado por uma sociedade anônima, distribuída aos acionistas), porém sem direito a voto.

4. Bancos de investimento (Quem faz o IPO)

A regulamentação exige que a distribuição pública seja coordenada por um intermediário financeiro devidamente credenciado - banco múltiplo, banco de investimento, corretora de valores ou distribuidora. As empresas geralmente consultam seus parceiros financeiros habituais, mas é recomendável que a empresa consulte mais de uma instituição. A instituição coordenadora líder (também chamada de underwriter), conjugando os interesses de todos os envolvidos, exercerá papel de coordenação dos procedimentos de registro na CVM, estruturação e timing da oferta, processo de formação de preço, plano de distribuição e organização da apresentação da operação ao mercado - esta conhecida por roadshow. Roadshow é a apresentação itinerante da Companhia e da operação de distribuição pública para investidores, especialmente investidores institucionais especializados. Pode-se observar no mercado um determinado padrão na relação entre porte do intermediário e volume das operações. De modo geral, as sociedades corretoras e os bancos de investimento de menor porte coordenam pequenas e médias emissões, enquanto grandes bancos coordenam grandes operações. Eventualmente, a Companhia poderá contratar mais de um intermediário financeiro para atuar com o coordenador. No caso de a Companhia selecionar mais de uma instituição, será necessário eleger uma instituição como coordenador líder. As propostas com condições básicas e custos são emitidas pelos candidatos à coordenação após visita de seus respectivos técnicos e elaboração de avaliações prévias sobre a empresa e a operação planejada.

Após todas as etapas anteriores realizadas, as ações são vendidas pela empresa para o time e pelo time aos seus clientes. O negócio pode ser estruturado de maneiras diferentes, mas em geral o time garante que vai encontrar compradores para as ações, aceitando o risco financeiro se falharem. O time vende as ações da empresa prestes a se tornar listada na bolsa de valores a um preço maior do que foi adquirido. Esta diferença de preço é definida no contrato entre a empresa e o banco de investimentos e, nos EUA, está em cerca de 7%. Uma vez que as ações tenham sido vendidas aos clientes do time, elas podem começar a ser comercializadas na bolsa.

Exemplos de bancos de investimentos famosos são Itaú BBA, Bradesco BBI, Goldman Sachs, BTG Pactual, JP Morgan Chase & Co., BNP Paribas, Merrill Lynch, dentre outras.

Recomendamos a leitura deste artigo para maiores detalhes das mais comuns operações de um banco de investimento: https://www.educacaofinanceira.info/1605/o-que-e-ipo-oferta-publica-inicial-e-como-ela-funciona/

5. IPO’s no Brasil

O número de IPOs sendo emitidos normalmente é um sinal da força do mercado de ações e da saúde da economia. Durante uma recessão esse número cai, porque não vale a pena o trabalho de abertura de capital se os preços das ações estão deprimidos. Por outro lado, quando esse número aumenta, isso normalmente significa que a economia está novamente em marcha.

Com a crise econômica e a turbulência política que se instaurou no Brasil, os IPOs andaram meio sumidos. Tivemos apenas 4 entre 2014 e 2016 e uma nesse ano, da companhia aérea brasileira Azul SA. Porém, a confiança na saída da crise e na retomada de crescimento econômico reanimaram o mercado, mesmo com o quadro político continuando instável. Assim, juntamente com a Carrefour Brasil, empresas como a resseguradora IRB, a empresa de energia renovável Omega Geração, Caixa Seguros, BR Distribuidora, Infraero Aeroportos e Infraero Participações, além da empresa farmacêutica Biotoscana, já estão na fila, só aguardando o momento certo. Outras, como a produtora de celulose Eldorado, do Grupo J&F aguardam o momento oportuno de emitir suas ações. Essas e muitas outras estão à espera de sinais ainda mais evidentes de uma retomada econômica, após o país ter enfrentado a maior recessão de sua história.

6. Carrefour Brasil

O Carrefour é uma rede internacional de hipermercados fundada na França em 1960. O Brasil foi o destino escolhido para a primeira loja Carrefour do continente americano e é o segundo maior mercado da companhia no mundo, atrás apenas da França . A rede tem presença em todo o país, com 498 lojas que empregam 72 mil pessoas. Globalmente, são 10,8 mil lojas com 364 mil funcionários, em 33 países. Ainda por aqui, atingiu todo esse tamanho com o lançamento de novas lojas e aquisição de redes regionais como Planaltão, Roncetti, Mineirão, Rainha, Dallas, Big, Eldorado, Continente e Atacadão.

O IPO, terá a faixa de preço fixada entre 15 e 19 reais por ação ordinária e será composto de uma oferta primária de 205.882.353 ações, como parte de um aumento de capital que representa 10,4 por cento do capital social após a conclusão da oferta básica, e uma oferta secundária de 91.261.489 ações vendidas pelo Carrefour e pela Península, da família Diniz, terceira maior acionista do grupo francês.

O prospecto de oferta contém um histórico financeiro do Carrefour Brasil. De acordo com um resumo desses dados divulgados à investidores estrangeiros, a varejista teve lucro líquido de R$ 199 milhões no primeiro trimestre deste ano, contra R$ 182 milhões no mesmo intervalo de 2016. A receita líquida somou R$ 11,22 bilhões no período e o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização ajustado (Ebitda ajustado), que mede o potencial de geração de caixa, de R$ 729 milhões. Um ano antes, esses indicadores estavam em R$ 10,47 bilhões e R$ 683 milhões, respectivamente. Durante todo o ano de 2016, o lucro líquido foi de R$ 1,3 bilhão, a receita líquida de R$ 44,95 bilhões e o Ebitda ajustado de R$ 3,38 bilhões. Em 2015, o lucro líquido chegou a R$ 985 milhões, a receita líquida a R$ 39,21 bilhões e o Ebitda ajustado a R$ 2,86 bilhões. Segundo o prospecto preliminar, a oferta de ações terá distribuição primária (de novas ações) e secundária (dos sócios). Na secundária, serão vendidas ações dos controladores Carrefour Brasil (Atacadão S.A.), Carrefour, Carrefour Nederland e Península Participações (fundo de Abílio Diniz).

A operação será coordenada pelo Itaú BBA, com apoio do Bank of America Merrill Lynch, Goldman Sachs, JP Morgan, Bradesco BBI e Santander Brasil.

Atualmente, o capital social da empresa é composto de 1.775.076.589 ações, totalizando R$ 4,05 bilhões. Ela pode aumentar o capital para 2.475.100.000 ações.

O dinheiro levantado na oferta primária será usado para o pagamento de "mútuos intercompany" (dívida interna, tomada entre empresas do grupo), liquidação de posições de swap detidas pela companhia (para mitigar a exposição cambial relacionada aos mútuos intercompany) e reforço de capital de giro.


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