Explicaê 3.3 - Nova rodada de downgrades no Brasil


Nova rodada de downgrades está para começar

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s anunciou na última segunda-feira que colocou em observação negativa a perspectiva para o rating do Brasil, atualmente em BB (categoria especulativa, dois níveis abaixo do patamar mínimo de grau de investimento).

A fundamentação da agência de classificação de risco que levou à mudança na perspectiva de estável para negativa deixa claro sua grande decepção com o governo Temer. A trajetória de um longo caminho de ajustes econômicos e fiscais, já considerada lenta antes da implosão da crise política, está sob forte risco de estagnação.

Com as incertezas acerca da viabilidade do governo Temer e possibilidade de um processo de transição prolongado, o Brasil fatalmente será rebaixado de BB para BB- nos próximos três meses pela Standard & Poor’s.

Resumo

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s colocou em observação negativa a perspectiva para o rating do Brasil, atualmente em BB. A guerra de interpretações em torno do áudio de Temer, juntamente com o recuo do PSDB e discursos positivos da atual equipe econômica reduziu a pressão vendedora no curtíssimo prazo e camuflou os graves alertas emitidos pela Standard & Poor’s em seu comunicado.

A fundamentação da agência de classificação de risco que levou à mudança na perspectiva de estável para negativa deixa claro sua grande decepção com o governo Temer.O Brasil perdeu o benefício da dúvida com a Standard & Poor’s e, possivelmente, perderá esse crédito com as outras duas grandes agências de classificação de risco (Moody’s e Fitch).

Com as incertezas acerca da viabilidade do governo Temer e possibilidade de um processo de transição prolongado, o Brasil fatalmente será rebaixado de BB para BB- nos próximos três meses pela Standard & Poor’s.

Costa Rica, República Dominicana e Sérvia são exemplos de países com nota BB-, no qual o Brasil corre risco de fazer parte. A nota BB- é também considerada forte sinal de alerta por investidores estrangeiros, pois está apenas três degraus acima do CCC (nota de elevado risco de inadimplência). Significa que o país já percorreu metade do caminho para cair no patamar de alto risco de calote.

Entenda o grau de investimento de um país

A classificação de risco por agências estrangeiras representa uma medida de confiança dos investidores internacionais na economia de determinado país.

As agências mais conceituadas pelo mercado são a Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s (S&P),

As notas servem como referência para os juros dos títulos públicos, que representam o custo para o governo pegar dinheiro emprestado dos investidores.

O grau de investimento funciona como um atestado de que os países não correm risco de dar calote na dívida pública. Abaixo dessa categoria, está o grau especulativo, cuja probabilidade de deixar de pagar a dívida pública sobe à medida que a nota diminui.

Uma avaliação positiva faz um país e suas empresas levantarem recursos no mercado internacional com custos menores e melhores condições de pagamento.Da mesma forma, uma boa classificação atrai investimentos estrangeiros ao país.


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