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Explicaê 3.1 - Antecipação das eleições do Parlamento Britânico


Parlamento britânico aprova antecipação das eleições

A primeira-ministra britânica, Theresa May, pediu nesta terça-feira 18, a convocação de eleições legislativas antecipadas para 8 de junho, com o objetivo de enfrentar com mais força as negociações de saída da União Europeia (UE). A eleição ocorreria apenas em 2020.

· Por que a primeira-ministra pediu a antecipação?

May justificou sua decisão pela necessidade de contar com um Parlamento que respalde sua estratégia no Brexit. O Parlamento está divido, colocando em perigo nossas possibilidades de êxito no Brexit.

Com as novas eleições propostas por May, seu partido pode conseguir grande maioria no Parlamento e seu poder de negociação pode ser reforçado. Com mais assentos na Câmara dos Comuns, a primeira-ministra teria mais liberdade para impor sua própria agenda e neutralizar os deputados de dentro e fora do seu partido que discordam de sua

* Brexit é a abreviação de Britain Exit, uma expressão inglesa que significa “Saída Britânica”. Se refere ao plano que prevê a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

· =Qual foi o resultado da eleição? Como fica o brexit?

O vencedor foi o Jeremy Corbyn, causando um golpe na estabilidade. Os líderes da União Europeia (UE) veem como consequência uma incerteza no futuro do Brexit. A expectativa era que as eleições definissem o tipo de Brexit que o país almejaria nas negociações com a UE: um Brexit "duro", com uma ruptura acentuada em que o Reino Unido abre mão por completo do acesso ao mercado comum e de acordos alfandegários com a UE; ou uma versão "suave", que permita uma relação especial com o bloco, como a da Noruega, por exemplo, que tem acesso privilegiado ao mercado comum, apesar de não ser membro da UE.

Para May, vista como grande derrotada na eleição (apesar da vitória técnica), sobrou pouco cacife e autoridade para decidir por conta própria o que será melhor para o país. Para o economista Martin Beck, as chances de garantir um acordo para o Brexit foram reduzidas consideravelmente.

O Partido Trabalhista saiu fortalecido do pleito, e seu líder chegou a propor, no primeiro dia após a eleição, que seria um "gesto generoso" do Parlamento concordar que os cidadãos da UE possam permanecer no Reino Unido e ressaltando a importância de se buscar um bom acordo comercial com o bloco.

· Qual foi a reação da bolsa com o brexit?

Quando a saída foi anunciada, algumas das bolsas da Europa registraram queda de mais de 12%. O FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, caiu 6,65%. As ações de bancos ficaram entre as principais perdas do dia no continente.

A cotação da libra também foi impactada pelo resultado do referendo. A moeda britânica afundou 10% em valor, atingindo o ponto mais fraco desde 1985. Provocando uma corrida de capital pela tradicional segurança do iene e do franco suíço.

· Quais os impactos econômicos?

1. Impactos para a economia britânica

Assim como os outros países do bloco, o Reino Unido também faz contribuições financeiras à União Europeia. Um dos argumentos dos britânicos a favor da saída do bloco é de que o Reino Unido mais contribui com a UE do que recebe recursos. Em 2014 o Reino Unido contribuiu com € 11,3 bilhões, o que corresponde a 0,52% de seu rendimento nacional bruto. Já as despesas do bloco com o país foram de € 6,9 bilhões, ou 0,32% do rendimento bruto.

A receita britânica deve cair sem a livre circulação de mercadorias e pessoas entre os países do bloco. E o FMI (Fundo Monetário Internacional) prevê que o PIB do Reino Unido fique 1,5% e 9,5% menor.

2. Impacto para o comércio exterior britânico e europeu

A participação na União Europeia permite que os países comprem e vendam produtos e serviços entre si sem a aplicação de taxas e impostos dentro da área comum. O Reino Unido então passa a ter taxas diferentes no comércio exterior com os países europeus em relação às praticadas agora, podendo inclusive trocar de parceiros. Pode prejudicar o comércio britânico, "pois ele deixa de contar com a livre circulação do bloco.

Já Nogami aponta que pode haver benefícios. Segundo o especialista, a entrada na UE "fez com que a Inglaterra, que era importadora de carne da Austrália, por exemplo, fosse obrigada a renunciar e passar a importar do continente. Isso são os acordos comerciais, se permite o livre comércio entre os integrantes em detrimento de outros países”, explica Nogami. Nesse sentido, com a saída, a Inglaterra pode ter condições comerciais melhores que com seus parceiros do continente europeu. Já para a União Europeia, acaba representando ônus", diz o professor.

3. Impacto nas importações e exportações de outros países, incluindo o Brasil

As negociações com países fora do bloco se tornam mais livres, como pontua Marcus Vinicius de Freitas. "O Brasil se beneficiaria eventualmente, porque agora poderia exportar para os britânicos produtos primários que sofrem algum tipo de impedimento na entrada na União Europeia.” diz Otto Nogami.

Já Paulo Figueiredo aponta que "o Brasil não vai se beneficiar tanto". "A facilidade é um pouco maior, mas o Reino Unido não é um grande parceiro comercial do Brasil, não tem tanta influência."

O Brexit coloca dúvidas também no aguardado acordo de livre-comércio do Mercosul com a União Europeia.

4. Impactos econômicos para o bloco

O professor Otto Nogami afirma a saída do Reino Unido do bloco significa a extinção de uma das bases do tripé no qual está apoiada a União Europeia. “Toda a estrutura da UE está baseada na Alemanha, França e Reino Unido. São as três economias mais fortes e representativas, e tirar uma delas pode desestabilizar a economia da União Europeia. Todo o peso acaba recaindo sobre a Alemanha, porque hoje a França está totalmente desestabilizada. O que não se sabe é até que ponto a Alemanha teria condições de carregar todo o continente nas costas, economicamente falando."

5. Impactos para outros países, como o Brasil, se a União Europeia perder força

Paulo Figueiredo aponta que a principal incerteza após a decisão britânica é com relação ao posicionamento de outros países europeus. Já teve discursos na Holanda e na França de que também deve ter uma votação para permanecer ou não. E isso pode enfraquecer muito o bloco, podendo deixar de existir.

· Em cinco cenários, o que acontece com a União Europeia após o Brexit?

O primeiro é seguir com o modelo atual, considerado difícil, já que implicaria em conflitos internos recorrentes pelas divergências entre os países em temas como refugiados e fronteiras.

O segundo cenário é reduzir a união para um mercado único, diante da impossibilidade de chegar a acordos em várias áreas políticas. Mas a capacidade de atuar em conjunto seria mais limitada, o que pode aumentar a disparidade entre as expectativas da população e os resultados obtidos pela União Europeia.

O terceiro cenário permite que os países avancem nos pontos em comum em certas áreas. Isso significaria um modelo da União Europeia com diversas frentes, funcionando em velocidades diferentes, permitindo uma maior cooperação entre os interessados.

O quarto cenário consiste em "fazer menos, mas de forma mais eficiente", focando-se nas áreas onde a União Europeia possa concentrar mais valores, como defesa da democracia e economia comum.

Por último, o quinto cenário apresentado pelo chefe do Executivo da União Europeia, Jean-Claude Juncker, é o federalismo, onde os países fariam mais juntos a partir de um sistema que preze mais pela soberania nacional. O modelo permitiria tomar as decisões mais rapidamente e evitar impasses de unidade que atrasem o bloco.

· Opinião do especialista:

Para o megainvestidor, magnata dos negócios e filantropo húngaro-americano, George Soros, a depender do que ocorrer daqui pra frente é possível que ocorra o cancelamento do Brexit antes do término das conversas: “O fato é que a Brexit é uma proposta de “perde-perde”, prejudicial tanto para a Grã-Bretanha quanto para a União Europeia, não pode ser desfeito mas as pessoas podem mudar de ideia.” Escreveu Soros para o The Mail on Sunday, um jornal de direita do Reino Unido.

“O processo de divórcio levaria pelo menos cinco anos, e durante esse tempo novas eleições poderiam acontecer. Se tudo correr bem, as duas partes podem querer se casar novamente antes mesmo de se divorciarem” acrescentou.


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