Explicaê 2.8 - IPO's no cenário brasileiro


IPO da Azul sai a R$ 21 por ação e movimenta R$ 2 bilhões

A oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Azul foi precificada nesta segunda-feira (10) a R$ 21 por ação, movimentando cerca de R$ 2 bilhões. A companhia aérea Azul deve finalmente fazer sua estreia na Bovespa após concluir com sucesso sua quarta tentativa de chegar ao pregão, numa operação que chegou a ser suspensa após vazamento de informações no mercado. Segundo informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), incluindo a oferta primária (ações novas) e secundária (de papéis detidos pelos sócios da companhia), a operação movimentou 96,2 milhões de ações, movimentando R$ 2,02 bilhões. Segundo a Reuters, a demanda de investidores pela oferta superou cinco vezes o volume ofertado. Os R$ 21 por ação ficaram no centro da faixa estimada pelos coordenadores, de R$ 19 a R$ 23 por papel. Cerca de 70% das ações foram vendidas a investidores a partir de Nova York, enquanto o restante foi colocado a partir de São Paulo, informou a agência. Na oferta primária, cujos recursos vão para a companhia, foram vendidas 63 milhões de ações, com giro financeiro de 1,323 bilhão de reais. Já a fatia secundária movimentou 33.239.837 ações, com 698 milhões de reais. Este é o terceiro IPO em 2017 na bolsa brasileira. Além da azul, abriram capital no novo mercado a locadora de veículos Movida (R$ 600 milhões) e a rede de laboratórios médicos Hermes Pardini (R$ 877 milhões). Juntas, as empresas movimentaram R$ 3,49 bilhões este ano. Outras empresas do país também podem captar no mercado de ações nos próximos meses incluindo a Log Commercial Properties, a XP Investimentos, e os braços internacionais da BRF e da JBS. Sob o símbolo AZUL4, a ação deve estrear no pregão da Bovespa nesta terça-feira (11). Itaú BBA, Citi, Deutsche Bank, BB Banco de Investimento, Bradesco BBI, Santander Brasil e JPMorgan atuam como coordenadores da operação. A oferta secundária tem Saleb II Founder 13, Star Sabia, WP-New Air, Azul Holding, ZDBR, Bozano, Maracatu, Morris Azul, Trip e Rio Novo Locações como vendedores. _______________________________________________________________________

1) Resumo

A oferta inicial de ações da Azul foi precificada na segunda feira (10/05) a R$21,00 por ação, atingindo a expectativa dos coordenadores do IPO. 96,2 milhões de ações foram movimentadas, o que levantou R$2,02 bilhões. 70% das ações foram vendidas por Nova York, e 30% a partir de São Paulo. É o terceiro IPO de 2017, que no total, já movimentaram R$3,49 bi. A ação começou a ser negociada dia 11/05*. Itaú BBA, Citi, Deutsche Bank, BB Banco de Investimento, Bradesco BBI, Santander Brasil e JPMorgan são os bancos de investimento coordenando a operação.

*A ação realmente começou a ser negociada dia 11/05.

2) Termos técnicos

CVM*: Comissão de Valores Mobiliários, a CVM é uma entidade que tem por objetivo regulamentar e fiscalizar o mercado brasileiro de valores mobiliários e informar ao público sobre as companhias que emitiram esses valores. A CVM verifica se os documentos da oferta estão completos e claros,visando que sejam adequadamente apresentados aos investidores potenciais.

3) O que é um IPO?

Um IPO é uma sigla para "Initial Public Offering". Em português, Oferta Pública Inicial. Esse nome, que a princípio parece complicado, nada mais é que o processo de a empresa buscar novos sócios no mercado, ou seja, a primeira vez que uma ação dela é vendida na bolsa de valores. Vamos ilustrar com um exemplo: Bernardo Luz, dono da Ruivo Ltda, está buscando novos sócios para a sua empresa de tintas para cabelo. Digamos que a empresa vale R$100,00. Ele então, com a autorização da CVM, tendo a Bolsa de valores como intermediária e um banco de investimento estruturando o processo, coloca 49 ações a venda no mercado, a R$1,00 cada uma. Bernardo abriu mão de 49% de participação na empresa, em troca dos R$49,00 que os novos sócios pagaram por essa participação.

Quais Fatores levam alguém a fazer um IPO?

Ter suas ações negociadas na bolsa de valores traz muitos benefícios para a empresa. Podemos citar:

- Maior acesso a capital O dinheiro obtido na abertura de capital pode ser alocado em projetos que façam a empresa crescer. Além disso, ela não tem que devolver esse capital para quem investiu nela, não há credores.

- Liquidez Patrimonial Transformar parte do patrimônio em dinheiro é muito vantajoso, pois como dono da empresa, você diminui seu risco, ao aumentar a liquidez do seu negócio. Além disso, no futuro, há a possibilidade de emitir mais ações.

Esse foi o caso da Azul, que transformou seu patrimônio em capital, com o intuito principal de pagar dívidas de curto e médio prazo

- Ações como moeda de troca Empresas com capital aberto tem a alternativa de fazer aquisições de outras empresas dando como pagamento suas ações, evitando tirar dinheiro de caixa.

- Transparência e governança As bolsas de valores impõe padrões de transparência e governança. Relatórios trimestrais, apresentações para investidores e balanços contábeis com auditores independentes são algumas das exigências feitas pela B3, por exemplo. Assim, conhecer a empresa fica muito mais fácil. Muitas vezes, isso pode facilitar o crédito, além de incentivar as empresas a atingir níveis altíssimos de governança, como o "Novo mercado".

5) Papel de um banco

O processo de abertura de capital envolve diversos agentes externos a companhia emissora, entre eles, bancos de investimento, escritórios de advocacia, firmas de auditoria e consultores.

Cada agente possui uma função primordial durante o processo de abertura de capital. Os bancos de investimento são responsáveis por definir as características do IPO, como o volume de recursos a ser captado, composição entre primária e secundária, definição da faixa de preço (valor de oferta da ação), marketing da oferta, roadshow*, bookbuilding* (“precificação” e alocação das ações da oferta) e também pela Due Diligence*.

Podemos observar no mercado uma relação entre o tamanho das operações e o tamanho dos intermediários. De maneira geral, bancos de investimento de menor porte coordenam pequenas ou médias aberturas de capital, ao passo que bancos maiores coordenam IPOs maiores

As empresas geralmente consultam seus parceiros financeiros habituais, mas é recomendável que a empresa consulte mais de uma instituição para dividir comissões e modelos de operação, no caso de envolverem mais de uma instituição financeira responsável, deverão eleger uma dessas como coordenador líder.

Entretanto, devemos salientar que nem sempre a abertura de capital é a melhor opção para uma companhia. Após uma análise da intermediadora underwriter, pode-se chegar a conclusão de que um empréstimo bancário para financiar novos projetos ou aquisições, ou até lançamento de títulos de dívida ao mercado podem ser uma solução mais viável a tal companhia.

Esse caso pode ser melhor quando a companhia é pouco estruturada em governança ou até se tem problemas na divulgação de informações (pré-requisito para abertura de capital)


Roadshow*: É a apresentação da companhia e da operação de abertura de capital aos investidores.

Bookbuilding*: Alocação das ações da oferta.

Due Diligence*: Divulgação de todo tipo de análise e conhecimento técnico e mercadológico aos investidores, assim não podem ser acusados de não terem informado algo aos investidores.

6) Contexto Ruim

No contexto econômico que o Brasil vivia, de inflação alta, taxas de juros alta, e muita desconfiança em relação ao que poderia vir a acontecer no país, houve uma queda acentuada nos IPOs. Isso aconteceu porque não havia disposição, por parte dos investidores, de arriscar seu dinheiro na bolsa de valores. Nessa conjuntura, as empresas preferem aguardar um momento melhor da economia, para lançar suas ações a um preço melhor, e levantar mais recursos abrindo o capital.

A volta dos IPOs

Com a queda da inflação, da taxa de juros e expectativa de aprovação de algumas reformas na economia, como a da previdência, o cenário parece estar finalmente ficando mais favorável para as empresas captarem recursos na bolsa de valores.


No gráfico, podemos ver claramente a queda acentuada de IPOs por ano a partir do começo da recessão, em 2014. Nesse quesito, 2017 parece ser um ponto de inflexão, pois já houveram 3 IPOs: da Movida (Aluguel de carros), IHPardini (Serviços médicos e hospitalares) e o da Azul, de aviação comercial.

Além disso, há bastante expectativa de ainda esse ano termos o IPO da Caixa Seguridade, IRB, TudoAzul, Carrefour e Saneago.

Links úteis:

http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/ofertas-publicas/estatisticas/ (Planilha com todos os IPOs)

http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/listagem/acoes/abertura-de-capital/como-abrir-o-capital/ (Varias coisas)

http://www.investopedia.com/terms/i/ipo.asp IPO (Investopedia)

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/ipo-da-azul-sai-a-r-21-por-acao-e-movimenta-r-2-bilhoes.ghtml


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