Explicaê 2.6 - Bolsas da Europa fecham em alta com resultado de eleição francesa


Índice acionário do mercado francês dispara 4%, maior alta desde agosto de 2015


Os candidatos que vão disputar o segundo turno das eleições francesas: Emmanuel Macron, do movimento Em Marcha!, e Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN) - CHRISTIAN HARTMANN / REUTERS

SÃO PAULO - Os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais na França fizeram os mercados europeus fecharem em forte alta nesta segunda-feira. O CAC 40, principal índice da Bolsa de Paris, fechou em alta de 4,14%, a maior valorização desde agosto de 2015. Os demais indicadores da região também fecharam em terreno positivo, a percepção de que o candidato de centro Emmanuel Macron tem maior chance de vitória no segundo turno.

Os mercados da região comemoram a diminuição dos temores na União Europeia com a possibilidade de o populismo vencer o pleito na França, como ocorreu nos Estados Unidos e depois do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia)", avaliou Ricardo Gomes da Silva, analista da Correparti Corretora de Câmbio.

Os investidores receberam de forma positiva o apoio a Macron anunciado pelos candidatos derrotados dos partidos de esquerda e direita mais tradicionais da França. Esse apoio enfraquece a possibilidade de avanço de sua concorrente no segundo turno, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen - vista como uma candidata menos pró mercado que Macron.

Apesar do otimismo, os analistas da Black Rock lembram que o risco político na França permanece ao menos até junho, quando ocorrem as eleições legislativas no país. "Tanto Macron como Le Pen não fazem parte dos principais partidos que dominaram a política francesa por quase 60 anos. Se Macron se tornar o próximo presidente da França, ele poderá ter que lutar para implementar sua agenda sem uma maioria parlamentar estável", segundo relatório enviado a clientes.

Link: http://oglobo.globo.com/economia/bolsas-da-europa-fecham-em-alta-com-resultado-de-eleicao-francesa-21249182

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Análise da notícia:

Os candidatos:

A disputa eleitoral foi a mais acirrada das últimas décadas, em que quatro candidatos apareciam praticamente empatados nas pesquisas, com uma taxa de abstenção de quase 30%.

Emmanuel Macron teve 23,86% dos votos válidos e obteve apoio declarado para o segundo turno dos candidatos em 3º e 4º colocação. Com 39 anos, é o atual ministro da economia de François Hollande. Ideologicamente, centrista caminha por uma linha tênue entre políticas pró-mercado e forte apoio social, defendendo uma jornada de 35 horas de trabalho por semana, idades flexíveis de aposentadoria para alguns trabalhadores e sugere que nações mais fortes na zona do euro façam transferência de capital para países mais fracos para promover a equalização financeira.

Em segundo lugar, Marine Le Pen, com 21,43% dos votos válidos a candidata de extrema direita defende a intervenção estatal na economia, estímulo à indústria por meio do protecionismo e redução da dependência econômica. Sendo assim, é natural que sua principal bandeira é o “Frexit”, seguindo o exemplo inglês de recuperação do controle das fronteiras e abandono da zona do euro e União Europeia.

Com esse programa, Le Pen apresenta um forte apelo à classe trabalhadora que tem sofrido com o efeito de juros e taxas de desemprego altas. Por outro lado, pesquisas indicam que 72% dos franceses são contra a saída da zona do euro.

Praticamente empatados com 19% dos votos válidos, apareceram François Fillon, com a ideologia de redução do Estado e redução de impostos, e Jean-Luc Mélenchon, da extrema esquerda, com bandeira de retaliação dos paraísos fiscais e padrões sociais e ambientais para produtos importados para França.

Como a eleição influenciou a alta das Bolsas na segunda-feira (24/04/2017)?

A alta nas bolsas em todo o mundo reflete um alívio do mercado sobre a preocupação com a popularidade de Le Pen, especialmente com o sucesso das vertentes populistas na Inglaterra e Estados Unidos.

Os mercados já precificavam a incerteza sobre o futuro da União Europeia em um eventual Frexit (saída da França do bloco europeu). Com a vitória de Macron e apoio dos outros dois candidatos para o segundo turno, essa penalização sobre o valor dos ativos foi reduzida.

Como o Frexit afetaria a economia?

- Retorno à moeda nacional (Franco)

Com o medo da desvalorização, haveria fuga de capitais de investidores institucionais franceses e estrangeiros. Com isso, uma consequente redução de liquidez da moeda e elevação do custo da mesma (Juros);

Por outro lado, Le Pen defende que uma moeda desvalorizada impulsionaria as exportações francesas, já que seriam mais baratas, reequilibrando a balança comercial deficitária;

- Aumento das tarifas alfandegárias

Os produtos finais franceses ficarão mais caros pelo aumento do preço de importação de seus insumos, resultando em um crescimento inflacionário ao longo da cadeia. Além disso, a inflação já não estaria controlada pelo Banco Central Europeu (BCE) o que poderia afetar poupanças, renda fixas das famílias e pequenas pensões.

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Opinião de especialista:

Em conversa com um Professor do DEP, destacamos algumas outras perspectivas sobre a influência das eleições francesas sobre o mercado financeiro mundial.

A possibilidade de saída da França do bloco europeu (como defendido pela candidata Marine Le Pen) preocupou o mercado, uma vez que afetaria o processo de globalização (assim como a saída da Inglaterra da UE e algumas políticas defendidas pelo presidente americano Donald Trump), que possui como uma de suas principais dimensões a integração dos mercados financeiros, e então é natural uma europa unificada seja uma das engrenagens dessa globalização.

Discutimos que, por outro lado, ao participar da União Europeia os países abdicam de espaço de manobra considerável em suas políticas cambiais, monetárias e fiscais, que são reguladas pelo Banco Central Europeu. Então, se houvesse apoio popular para um eventual Frexit, a França recuperaria este grau de liberdade para lançar mão desses recursos para gerir sua própria economia.

No entanto, comparando a França com o Reino Unido, o mesmo quando na UE não abdicou de sua moeda (libra), e historicamente mantém parte considerável de suas relações econômicas com os EUA (fora do bloco). Isso ameniza o efeito negativo do Brexit, em comparação ao que significaria a mesma saída na França, cujas relações são voltado para o bloco europeu e cuja moeda teria que ser retomada.

Segundo o docente, um dos aspectos mais relevantes para a flutuação e especulação nos mercados seja a possível prerrogativa de perda de liberdade de circulação de capitais. Isso contribuiria para o enfraquecimento do euro frente ao dólar como moeda internacional, o que causaria uma situação conturbada que o mercado previamente avaliou como negativa e se retraiu.

Com a aparente vantagem do candidato Emmanuel Macron, apoiado por François Fillon e Jean-Luc Mélenchon, tais riscos foram drasticamente diminuídos, retomando a margem “retirada” por este, e assim, explicando as altas nas bolsas mundiais.


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