Explicaê 2.2 - B3, ex-BM&FBovespa/Cetip, nasce como 5ª maior bolsa do mundo


“A B3, novo nome da empresa resultante da fusão entre BM&FBovespa e Cetip, nasceu como quinta maior operadora de bolsas do mundo em valor de mercado, disse nesta quinta-feira o presidente da companhia, Edemir Pinto. Ao anunciar o novo nome do conglomerado, Edemir disse que a empresa tem um valor de mercado de cerca de 13 bilhões de dólares, ficando atrás apenas de CME (40,3 bilhões); Intercontinental Exchange, dona da Nyse, (35,3 bilhões); bolsa de Hong Kong (cerca de 33,6 bilhões de dólares), e Deustche Boerse, (cerca de 15,1 bilhões de dólares). Em reunião com jornalistas para anunciar detalhes da fusão sacramentada na semana passada, após autorização do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), executivos do grupo disseram que empresas interessadas em operar o mercado de bolsa no Brasil já manifestaram interesse em usar a estrutura de pós-mercado da B3. "Já recebemos algumas consultas", disse o diretor de operações, clearing e depositária da B3, Cícero Vieira. [...]”

http://exame.abril.com.br/mercados/b3-ex-bmfbovespacetip-nasce-como-5a-maior-bolsa-do-mundo/ Agora, vamos explicar alguns termos importantes para entender o assunto: O que é Cade? Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o CADE é uma autarquia federal brasileira que tem como objetivo orientar, fiscalizar, prevenir e apurar abusos do poder econômico, exercendo papel tutelador da prevenção e repressão do mesmo. Por isso, ela, juntamente com a CVM precisou aprovar a fusão entre as empresas citadas.

O que é CVM? Comissão de Valores Mobiliários, a CVM é uma entidade que tem por objetivo regulamentar e fiscalizar o mercado brasileiro de valores mobiliários* e informar ao público sobre as companhias que emitiram esses valores. *Valores mobiliários: Valores mobiliários são documentos emitidos por empresas ou outras entidades, em quantidade, que representam direitos e deveres, podendo ser comprados e vendidos. Ex: ações, debêntures, bônus de subscrição, cupons, direitos, recibos de subscrição, dentre outros.

O que é a Bolsa de Valores?

A bolsa é uma entidade que organiza e agrupa diferentes mercados onde são negociados os ativos financeiros*. No Brasil, a entidade que organiza os mercados de ativos financeiros sozinha, desde 2000, é a BM&F Bovespa, que foi criada a partir da junção da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) e a Bovespa (Bolsa de Valores do Estado de São Paulo), em 2008. Tal junção proporcionou maior organização e integração dos investimentos negociados.

A BM&F Bovespa é uma empresa privada do tipo Sociedade Anônima administrada pela Bovespa Holding, que tem ações lançadas no Mercado sob o ticker* BVMF3.

*Ativos financeiros: são investimentos, produtos financeiros como ações, títulos públicos, etc.

*ticker: é o código/símbolo de um determinado título cotado para compra ou venda.

O que a BM&F Bovespa faz?

As atividades da BM&FBovespa consistem em desenvolver, implantar e prover canais de ações, derivativos de ações, títulos de renda fixa, títulos públicos federais, derivativos financeiros, moedas à vista e commodities de natureza agrícola. É ainda por meio de suas plataformas de negociação que realiza o registro*, a compensação* e a liquidação* dos ativos negociados. É responsável ainda por atividades de gerenciamento de risco de operações realizadas mediante seus próprios sistemas e pelo fomento de mercado de capitais nacional.

Registro: mantém o controle das informações relativas a todos os ativos financeiros que são negociados dentro dos seus sistemas.

Compensação: é a garantia de que as operações realizadas com os ativos serão efetivadas e que as partes envolvidas na negociação tenham os recursos disponíveis para honrar seus compromissos. A compensação é importante na Bolsa de Valores porque, geralmente, ela envolve processos de compra e venda em variados períodos de tempo.

Liquidação: é o encerramento de uma operação realizada com ativos financeiros.

Quais são os principais ativos negociados em Bolsa?

Quem quer investir na bolsa de valores e comprar os ativos negociados nos pregões precisa criar uma conta num agente de custódia autorizado (corretoras), que funciona como intermediário entre os agentes emissores dos títulos e os interessados em investir nos ativos negociados nos mercados organizados pela BM&F Bovespa. Tais ativos são, principalmente, ações, títulos de renda fixa, câmbio pronto e contratos derivativos referenciados em ações, contratos futuros, contratos à termo, contratos de índices, mini-índices, taxas, mercadorias, moedas, entre outros. E todos eles são negociados dentro de três grande mercados organizados pela Bolsa: o Mercado à vista*, o Mercado a termo* e o Mercado futuro*.

*Mercado à vista: representa o conjunto de operações de compra das ações negociadas em bolsa a preços estabelecidos em pregão.

*Mercado a termo: é a compra ou a venda, em mercado, de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado, a contar da data de sua realização em pregão, resultando em um contrato entre as partes.

*Mercado futuro: é um mercado em que se negociam compromissos de compra e venda que só serão realizados no futuro. O objetivo desse tipo de negócio não é receber o produto final, mas ganhar dinheiro com a variação dos preços, que mudam diariamente.

CETIP

Criada em 1986, a Central de Custódia e Liquidação de Títulos Privados, tem como objetivo trazer mais segurança, agilidade, transparência e liquidez às operações do mercado financeiro brasileiro por meio de soluções de tecnologia e infraestrutura.

Seu ambiente é conhecido como ambiente de balcão* que, diferentemente do ambiente de bolsa, oferece aos participantes uma maior flexibilidade para o registro da negociação de títulos e valores mobiliários de renda fixa. Pode também registrar, custodiar e liquidar títulos públicos estaduais e municipais emitidos após 1992, títulos representativos de dívidas de responsabilidade do Tesouro Nacional, entre outros títulos e, principalmente, a custódia de Derivativos de balcão. Milhões de pessoas físicas são beneficiadas todos os dias por produtos e serviços prestados pela companhia, como processamento TEDs e liquidação de DOCs, bem como CDBs e títulos de Renda Fixa.

*TED: Transferência Eletrônica Disponível, é uma transferência bancária sem valor limite e que credita o valor poucos minutos após sua autorização, desde que feita até as 17h.

*DOC: Documento de crédito é uma transferência bancária limitada, cujo valor é creditado no dia útil seguinte.

*Custódia: é a guarda de títulos e valores mobiliários por uma instituição. O que significa que o investidor não precisa ter posse dos títulos, porque a instituição de custódia garante que existe e está registrado no nome do proprietário.

Mercado de Balcão:

O mercado de balcão é um segmento do mercado de capitais que representa um mercado de títulos auto-regulado, sem local físico definido para transações e mantido pelos próprios participantes, sob fiscalização da CVM. É chamado de organizado quando se estrutura como um sistema de negociação de títulos e valores mobiliários podendo estar organizado como um sistema eletrônico de negociação por terminais, que interliga as instituições credenciadas em todo o Brasil, processando suas ordens de compra e venda e fechando os negócios eletronicamente.

B3

A B3, como noticiado, surgirá como a 5° maior bolsa do mundo em virtude da fusão entre BM&F Bovespa e Cetip, com um valor de mercado estimado em 13 bilhões de dólares. Porém, o processo de integração total entre elas levará entre 12 e 18 meses.

A companhia nasce com a promessa de se debruçar sobre novos produtos e na forma como ajudará os clientes a fazerem mais negócios, além de novas fontes de receitas.

O principal efeito da fusão para os clientes – bancos, corretoras e seguradoras –, e depois para os investidores, será uma redução de custo estimada em cerca de 30% por conta da maior eficiência da alocação de capital e alto padrão de gerenciamento de riscos do lado dos reguladores.

Além disso, a diretoria da nova bolsa de valores brasileira, deixou em aberto o novo modelo de autorregulação do mercado de capitais, já que a responsabilidade pela fiscalização do cumprimento de algumas regras definidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está, hoje, nas mãos da BSM – BM&FBOVESPA Supervisão de Mercados, órgão conhecido como tribunal administrativo da bolsa de valores. Com a fusão, a BSM passa obrigatoriamente a autorregular também os players* que usavam os serviços oferecidos pela Cetip.

Um dos acordos firmados, nesse mesmo sentido, será a abertura dos serviços de clearings* e depositárias* a terceiros interessados em ingressar no mercado brasileiro. A B3, inclusive, já recebeu consultas de interessados em usar a estrutura de pós-negociação da companhia para operar o mercado de bolsa no Brasil.

*Players: agentes que efetuam as operações do mercado

*Clearings: serviços de compensação e liquidação de ordens eletrônicas, de transferências de fundos e de outros ativos financeiros, principalmente de operações realizadas em bolsas de mercadorias e de futuros e de compensação envolvendo operações com derivativos. *Depositária: serviços de depositária ;e responsável pela a guarda, atualização e coordenação de eventos corporativos (pagamentos de dividendos, juros sobe o capital próprio, bonificação, etc.) do mercado de ações.

Opinião do especialista:

Willian Cordeiro - Analista de ações

A fusão da cetip pela BM&F Bovespa tende a ser benéfica para os usuários de seus serviços, dado que a integração de backoffice*, tecnologias, gestão de risco, trading* e post- trading services, unificação da custódia, dentre outras sinergias de custo fixo devem reduzir estrutura de custos em 100mn brl. Apesar da BM&F ser especializada em serviços de bolsa e a Cetip em serviços de balcão, a fusão ocasionará, além da complementaridade vertical da maioria das operações, monopólios de outras. Dessa forma, os principais pontos levantados na análise do CADE se deram em dois campos: (a) pricing*; e (b) utilização de depositários centrais por novos entrantes, ou seja, não restrição ao acesso a informações pela concorrência.

Contribuíram para a análise bancos e outras instituições financeiras, bem como third parties interessadas no processo, como a ATS (American Trading System), interessada em entrar no mercado de bolsa brasileiro.

Após quase um ano de estudos, a fusão das duas companhias foi aprovada pelo CADE, porém foram condicionadas algumas exigências quanto à política de preços e concorrência. O Conselho administrativo, por considerar que a união gerará altas barreiras de entrada, nos moldes de um monopólio natural, determinou que a nova B3 terá até 120 dias para acordar com empresas interessadas em atuar no setor brasileiro política de preço e acesso às centrais depositárias. Para evitar abuso de preços, a empresa criará um comitê com conselheiros independentes e clientes para definição de política de pricing.

Enfim, a B3 deve acumular sinergias de custos fixos e de tecnologia, diferenciais nesse tipo de negócio. Caso a fusão consiga captar essas vantagens, o comitê independente deverá ajudar a balizar os preços praticados para que o usuários do serviços também se beneficiem desse “deal”.

*Backoffice: Podemos considerar como BackOffice os departamentos que dão o suporte para o funcionamento geral da empresa e que tem pouco ou nenhum contato com os clientes: como contabilidade, recursos humanos, informática, almoxarifado, etc.

*Trading: O trading consiste em fazer pelo menos duas apostas contrárias com o objectivo de ganhar dinheiro com a variação das apostas.

*Pricing: é o processo de colocar preços, automaticamente ou manualmente, aos pedidos de vendas e compras, baseado em fatores tais como: quantia fixa; diferença por quantidades; (vendidas ou compradas).


237 visualizações

LMF São Carlos © 2014-2020 todos os direitos reservados