É melhor “Jair” abrindo, está ok?


“A caixa-preta vai ser aberta na primeira semana! Não tenha dúvida disso.

Se não abrir a caixa-preta, ele está fora, pô.” Essa foi a declaração do atual

presidente Jair Bolsonaro para o site Antagonista, em novembro de 2018, quando

questionado sobre uma de suas promessas feitas durante sua campanha

presidencial. Bolsonaro referia-se a “obrigação” do ex-ministro da fazenda e

recém nomeado presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico

e Social (BNDES), Joaquim Vieira Ferreira Levy, de abrir uma suposta caixa-preta

que continha o registro de possíveis transações irregulares e ilegais feitas durante

o governo petista com o dinheiro do banco.

Entretanto, mais de 6 meses se passaram e o objeto hipotético ainda não

foi aberto e exposto.

Recentemente, o até então presidente do Banco de Desenvolvimento,

pediu demissão do seu cargo após sofrer pressões por parte do atual Ministro da

Economia, Paulo Guedes, e do presidente da república, Jair Bolsonaro. Como

substituto, assumiu à sua posição o engenheiro e economista Gustavo Henrique

Moreira Montezano que, teoricamente, está mais alinhado com os ideais do atual

presidente.


Quem é Joaquim Levy e qual motivo da sua demissão?


Joaquim Vieira Ferreira Levy, também conhecido como “chicago boy”

(apelido dado àqueles que passaram pela Universidade de Chicago e tiveram

aulas com grandes economistas liberais como Arnold Harberger e Milton

Friedman) é um Engenheiro Naval, doutor em economia, que ocupou cargos

importantes em grandes instituições financeiras como: Fundo Monetário

Internacional, Banco Central Europeu e Banco Bradesco. Obteve maior

visibilidade nacional quando foi nomeado Secretário do Tesouro Nacional no

governo Lula e Ministro da Fazenda no segundo mandato do governo Dilma.

Apesar de uma passagem não muito aplaudida pelo mercado durante o

governo Dilma, Levy ainda era bem visto por se tratar de um economista liberal.

Por isso, em 2019, Levy embarcou em uma nova missão como Presidente do

BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) após ser indicado pelo recém

nomeado Ministro da Economia, Paulo Guedes.

No dia 15 de junho de 2019, o atual presidente ameaçou demitir Levy se

ele não suspendesse a nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto do cargo

de diretor de Mercado de Capitais. Inesperadamente, Joaquim pediu a

demissão do seu cargo de presidente no dia seguinte.

Apesar da ameaça ter sido feita em rede pública após a nomeação do

advogado, o principal motivo para essa forma de retaliação foi o fato de Levy

não facilitar a abertura da caixa preta do banco (uma das promessas feitas

durante e após a campanha de Bolsonaro). As informações contidas nessa

suposta caixa seriam responsáveis por expor diversas transações ilegais e

irregulares feitas pelo Banco de Desenvolvimento durante os governos petistas.

Vale a pena ressaltar que os empréstimos feitos para obras no exterior, os

aportes no frigorífico JBS, a construção da Hidrelétrica de Belo Monte , os

investimentos bilionários da Petrobrás e as obras da Usina Nuclear Angra 3 fazem

parte de uma série de mega projetos financiados pelo BNDES. A exemplo disso,o

Banco de Desenvolvimento Econômico e Social contratou R$ 8,1 bilhões com o

Frigorífico JBS, sendo a maior parte operações de compra de participação

acionária. O investimento fortaleceu o JBS, que fez aquisições de empresas no

exterior, e atingiu o patamar de maior processadora de carnes do mundo.



Junto à não abertura da suposta caixa-preta e à nomeação, teria se

somado a irritação do Ministro da Economia, Paulo Guedes, com o fato de Levy

não estar liberando um repasse maior de recursos do BNDES para a União. Esse

dinheiro ajudaria a fechar as contas públicas e melhoraria a situação financeira

do país.


O que esperar de Gustavo Montezano?


O novo presidente do BNDES não encontrará muitos obstáculos durante o

período de sua gestão, desde que siga as imposições feitas por Jair Bolsonaro e

atenda os pedidos do Ministro Paulo Guedes.

Como principais medidas, Montezano além de liberar um maior repasse de

recursos para o Estado e vender a participação em algumas empresas visando a

devolução de recursos ao tesouro, terá que abrir a “caixa preta” do Banco de

Desenvolvimento a fim de expor alguns dos empréstimos feitos pelo governo

petista.

Agora, o que resta é esperar a postura do novo presidente e as

consequências de suas decisões, principalmente no que tange a abertura da

“caixa preta”.


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